segunda-feira, janeiro 15, 2007

palco

fingimos que somos,
que não somos,
que sabemos
que o que queremos
é não saber o que agora somos.

luzes, ribalta, néon.
palmas, ilusão;
pateada, nada somos.

bailas? não bailas?
eu sigo, prossigo, arrisco.

abro a cortina
e fico na boca de cena.
qual cena?... a da ilusão?...
a da verdade?
finjo que não sei e prossigo,
olhos nos olhos da plateia
que, em silêncio, nos consome.

a rede. não há rede...
há apenas o degrau...
da fama ou... da lama.

como tudo é bom e cruel,
como, no palco, de um improviso nas-
ce a flor e de um deslize...
a queda fatal.


fingimos que somos,
que não somos a fingir.
que somos como somos.
que, por detrás daquilo
que naquele instante parecemos ser
há algo, em nós, mais importante
por descobrir.

somos o que somos.



Quim Gouveia
(Do livro "Luaridades", edição "Onda Azul", Setúbal, Junho 2001.
Publicado, com permissão do autor, em Debaixo do Bulcão poezine nº 16, Janeiro 2002)
E para os que estiverem com dúvidas, sim, o Quim Gouveia poeta é o mesmo Quim Gouveia "cantor pimba"...

1 comentário:

pedras contra canhões disse...

um grande abraço para um amigo!
força Quim!