quarta-feira, abril 20, 2016

Vocês, Pah!


Performance poética do Professor Doutor Abreu Santinho, Exm.o e Mui Ilustre Provedor do Debaixo do Bulcão poezine, proferida na Oficina Divagar, nesta aurea cidade de almadaã, aos dias zero seis de dezembro do anno da desgraça de dois mil e quinze.

com todas as licenças & permissões necessarias 

sexta-feira, novembro 27, 2015

Debaixo do Bulcão 42 é "poetry-à-porter"



Debaixo do Bulcão poezine poetry-à-porter
Capa de Luísa Trindade

Sai dia 4 de Dezembro

(Brevemente mais novidades sobre esta edição)

sexta-feira, outubro 23, 2015

Debaixo do Bulcão regressa em Dezembro de 2015

É oficial: depois de dois anos de ausência, Debaixo do Bulcão poezine regressa com mais uma edição, em Dezembro de 2015. Como sempre, aberto à participação de todos os interessados, sem restrições de temas, sem tabus, sem vistos de censura prévia.

Enviem as vossas colaborações até 8 de Novembro de 2015 para

debaixodobulcao@gmail.com


Debaixo do Bulcão aceita, em princípio, todos os trabalhos que são entregues para publicação. Há, no entanto, um conjunto de regras, de natureza técnica e ética, a cumprir:

a) as colaborações podem ser textos ou ilustrações e não estão sujeitos a nenhuma temática (ou seja: o assunto a abordar fica ao critério de cada pessoa que deseje publicar)

b)  devido ao pouco espaço disponível na edição em papel, os textos - poesia ou prosa - não devem exceder duas páginas em formato A4 (ou equivalente em número de caracteres em corpo 12).

c) para as ilustrações há que ter em conta que esta publicação é um fanzine em formato A5, impresso em fotocópia a preto e branco. trabalhos a cores ou com grande escala de cinzentos podem sair desfavorecidos no resultado final.

d) esta publicação é, desde sempre, um espaço onde se cruzam formas de expressão e opiniões diversas, em liberdade. No entanto, também desde o princípio, não aceita mensagens que incentivem o racismo ou a xenofobia, bem como difamação a pessoas ou grupos de pessoas (difamação no sentido em que o termo é definido pelo Código Penal português). São as únicas restrições.

Mais informação sobre a história e os objectivos deste projecto aqui

quinta-feira, abril 11, 2013

Nº. 1

O que sou não tem significado.
Tu és intrigante, como um stencil do Banksy.
Temo-te como um furor mesquinho
que desvio do meu alcance,
Nada mais foi como antes
pois comecei a sonhar.
Traço escalas de planos
nos meus sonhos rebuscados,
serias o filme perfeito!
Que nunca vou realizar…
Deixa-me colecionar vinis
recriar neles a nossa história.
No fim, resta um vazio.
Como agonia irónica
da qual eu me rio,
só para te irritar um pouquinho.
Como em máquina lomográfica
crio outra realidade, tendo a ser trágica.
Eu não escrevo livros
Tenho medo da verdade
E gosto das palavras soltas.


Sílvia Cunha

Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - Março 2013

(Ilustração: desenho de Sturrefsit Adjukaatrix)

terça-feira, abril 09, 2013

Zapping

alguém estava a ensinar
a última palavra, a conclusão
definitiva, mas mudei de canal
e, depois, já não fui a tempo
de retomar o raciocínio.
quando a informação nos
é atirada à cara como uma
fisgada podemo-nos realmente
magoar. fiquei a um
passo de uma revelação fundamental
e tive de me conformar: vejo
agora reclames publicitários como
se não os observasse. dá
esquecimento em quase todos
os canais que subscrevi:
pago a mensalidade com o
ordenado ganho na minha alienação,
recebo a paga na mesma moeda.
é justo. como se uma dessas mãos
pudesse realmente lavar a outra.


Rui Tinoco

Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - Março 2013

A ver televisão

os mais esclarecidos de entre nós
ligam a televisão no final do dia
ansiosos por presenciarem
os Debates. neles, a lógica
é uma bola que serve um
jogo verbal seguido com a
maior atenção. às vezes
tecem-se estranhas contas
de quem venceu
de quem perdeu
como estivéssemos perante
Gladiadores e existisse
um César com verdadeiro
poder de vida, de morte.
é curioso pensar como
nos tornamos infantis, procurando
combates, vitórias e derrotas,
como esperamos insensatamente
que alguém nos explique
a nossa própria existência
só por estar dentro do ecrã.


Rui Tinoco

Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - Março 2013

domingo, abril 07, 2013

Ulisses, o robot, filosofando


"As minhas palavras elevam-se 
mas os meus pensamentos 
ficam presos à Terra:
palavras sem pensamentos 
não chegam ao Céu."
Shakespeare, 'Hamlet'






voltar a ser humano
ou nunca mais voltar a ser humano

saber sulcar a terra das palavras
carpinteirar seu barco e navegar
no mundo imenso e duro
ser como num poema de Sophia
o pensamento hábil que floresce
semântico do plácido trabalho

ou enxertar em nós o silicone
do tudofeito&prontoaengordar
a timidez do flácido neurónio,

eis a questão.


António Vitorino

Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - Março 2013

(Imagem: capa do livro 'The Bicentennial Man', de Isaac Asimov,
em  http://www.nicholaswhyte.info/sf/tbm.htm)

sábado, abril 06, 2013

TIC

a Madame Lisete
que não tinha grande peito
foi-se pôr no photoshop
ficou com as mamas a preceito


aranhiças & elefantes

http://aranhicaselefantes.blogspot.com

em Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - Março 2013

quinta-feira, abril 04, 2013

A dor me ser

afundo a mão entre as águas
trago seu remanso sobre o meu não saber delas
para recortar a lâmina úmida
acredito que haja um assovio
na lágrima que é lume sombrio
tremulando como alvéolos
teares nas chaminés do campo
quando a noite se enfraquece
no cio das aves
outro é o pão que alumia o dia
argila que se molda uma única vez
agora são rios os raios que se aquecem no frio
e se aconchegam e se verbalizam no silêncio – nada diria para que continuasses a dizer
tantos voos suspirando nesse vazio
onde a correnteza é o lar grave da margem
o anseio da ilha  – que me reste somente o que consigo beber dos seus leitos breves, como um círio raso e único...
quando a guarida é remo e rede,
quando não me disfarço de mim - sonrío.


Tere Tavares
http://m-eusoutros.blogspot.com.br/


em
Debaixo do Bulcão poezine
n.º 41 - Março 2103

quarta-feira, abril 03, 2013

12 Fevereiro de 2012

… Ao meu camarada Diogo

Tu!

Que me convidaste para ir a tua casa beber um rum
Na primeira noite em que nos conheceste
Que sem preconceito nos convidaste – a nós – para ir a tua casa
Numa campanha eleitoral, numa noite de verão
Fizeste de nós amigos

Tu!

Que me ensinaste que “nós podemo-nos chatear com uma pessoa, mas nunca com o partido”.

Tu!

Que me ensinaste a ver-te sempre vigilante
E a dizer aquilo que alguns pensavam, mas não tinham a coragem de o dizer
E que muitos pensavam ser um acto de vaidade

Tu!

Que visitaste a revolução onde ela acontecia

Tu!

Que pensavas acerca de tantos temas da nossa sociedade com a lucidez
Que muitos, mais jovens não ousariam sequer alcançar

Tu!

Que viste a guerra civil espanhola, e viste os nossos irmãos a serem fuzilados

Tu!

Que viste os fascistas fazendo a saudação nazi

Tu!

Que a bordo do paquete Vera Cruz
Foste à inauguração de Brasília do Niemeyer


Tu!

Que me fizeste duvidar da expressão “alma”
Sempre que em festas não cantavas essa palavra

Tu!

Que as tuas cinzas voem e
Que no solo mais fértil da nova era pousem!



B.B. Pásion
Poemas da saudade



em
Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - Março 2013

sexta-feira, março 29, 2013

continuamos dançando
gozando
na maior sinfonia

continuamos amando
vamos!
Caronte, São Pedro!

o que significa pra mim?
continuamos tocando
palmas na cripta, vida

continuamos dançando
nas cinzas
de amor e alegria

aqui do camarote
humanos!
já pagamos, pagãos!

em nossos ovos de mirra
continuamos brilhando
palcos de línguas, vidas



Edson Pielechovski

Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - Março 2013

Uma alma cigana

Mulher de alma cigana
Teu bailado é de encantamento
Nos captura em tua caravana
Não revele já teu intento.

Pelo espelho surge um Ser
Numa imagem sete vezes repetida
Ousadamente nos vai prender
Nesse elo de ligação sentida.

Vem Senhora do Raio
A transmutar nossa energia
Tanta atração é como ensaio
Para o mistério da magia.

Na dança de pés descalços
Provocando os desejos
Desatam-se mil laços
Soltam-se gracejos.

Moça que é estrela cigana
Tua sedução é natural
A paixão te faz soberana
Doce feitiço, um tanto fatal.
                                                      

Mônica Quinderé

 Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - Março de 2013


terça-feira, março 26, 2013

O Discóbolo de Míron

Clássico entalhe da anônima
vitória.
E a icônica arte confinada
no plano altar, transita
(plena) em ângulos di-
versos, em versos angulares, re-
versos independentes. Além
da vista, sob pontos e pontes,
vomita
a estética postura do disco (movi-
mento que precede o lança-
mento). Onde a cinese ganha
distância, com a força
mítica
do músculo perfeito, me lanço
ícone
da (es)cultura anatômica.
Até ao limite da parábola
construo um poema harmônico
: mente e corpo e palavras vivas.
Vividas. Vivo agora, dentro e fora,
a descrever a pose e o
pós.

Sidnei Olívio

Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - março 2013

Excelentíssimos Estupores













A sanha do poder torna-os sedutores
Além das gravatas de todas as cores,
Distribuem rebuçados de vários sabores
Canetas beijos e sorrisos encantadores,
Porque no final querem sair vencedores.

A vitória floresce a troca de favores
Quase que parecem mercadores
Nos muitos jogos de bastidores
Em que são autênticos doutores
No seu notável papel de impostores.

Denunciados pelos comentadores
Fixam o sorriso amarelo nos televisores
Agarram a cartilha dos ditadores
E deixam cair a máscara de fingidores
Os excelentíssimos estupores.


Luís Milheiro


Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - março 2013

(Imagem: arte urbana numa parede de Lisboa, 2010)