quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Sinistros Cismos

diz o marquês de pombal: está mal
e é preciso fazer bem. régua esquadro
esquadria. derrubo a casa da tua tia
enquadro terramotos no plano original.

diz antónio josé da silva: está bem
mas não me preocupo nada com isso.
estou febril vim do brasil fui a belém
reli os evangelhos mesmo assim virei chouriço.

diz bocage: carrapato mais que tu penou camões
ou na pátria ou nas índias essas dores
tal a minha liberdade amputada em maus serões.

epílogo de pina manique: essas tintas essas cores
e doutores há em excesso até na arcádia. ah, prisões!
deixem sonetar o sono! azorraguem tais cantores!


António Vitorino

(Debaixo do Bulcão poezine, nº13 - Março 2000)

1 comentário:

Rui Diniz disse...

Muito bem "esgalhado" este poema :-D