quinta-feira, julho 05, 2007



«Hoje mergulhei as águas de Neptuno, lentamente pestanejei, e vi algo ondulante, parecia uma pena levada pelo vento, seguia sem pressa, movida a três tempos como as valsas do mar, torneava ora para um lado ora para outro, devagarinho, quase a roçar um peixito imprudente, e lá ia ela, sem grande preocupação quanto ao seu destino.

Senti que aquela coisa me pertencia, e corri chorando, o meu corpo molhado, bracejei com toda a força que tinha, aí, ela ria de mim, ondulando bailarina, ondulando atrevida, acho que lhe vi um sorriso irónico, estava a fazer pouco de mim! Depurado o meu cansaço, ansiei, mas segui-lhe o rasto alvo, de mão estendida disse-lhe alto!

Tu és minha, não fujas de mim, eu sem ti não sou nada, estou perdida...volta!

«Está bem, eu estou aqui»

Agarrei a minha alma e adormeci.»

Leo 2005
em Debaixo do Bulcão poezine
nº 30 - Almada, Junho 2007

Da autora:
Por Um Mundo Melhor Kuanto Baste
Fotolog

2 comentários:

alma-pirata disse...

Tem noites que minha alma tambem foge de mim e me leva a passear por aqui e por ali, tem noites em que me leva a passear por sonhos, pelos meus sonhos,outras pura e simplesmente me leva e me larga nesses sonhos onde eu sinto que sou livre,sinto a paz e sinto que sei quem sou...


bom fim de semana

Madalena Barranco disse...

Ler esta reflexão leva à leveza da alma. Lindo! Beijos à autora e ao António por nos brindar com este texto.