sexta-feira, abril 13, 2007

Mensagem do Terceiro Mundo







Foto: Neil Reeves
http://www.potd.com.au/





Não tenhas medo de confessar que me sugaste o sangue
E engravataste chagas no meu corpo
E me tiraste o mar do peixe e o sal do mar
E a água pura e a terra boa
E levantaste a cruz contra os meus deuses
E me calasse nas palavras que eu pensava.

Não tenhas medo de confessar que te inventasse mau
Nas torturas em milhões de mim
E que me cavas só o chão que recusavas
E o fruto que te amargava
E o trabalho que não querias
E menos da metade do alfabeto.

Não tenhas medo de confessar o esforço
De silenciar os meus batuques
E de apagar as queimadas e as fogueiras
E desvendar os segredos e os mistérios
E destruir todos os meus jogos
E também os cantares dos meus avós.

Não tenhas medo, amigo, que te não odeio.
Foi essa a minha história e a tua história.
E eu sobrevivi
Para construir estradas e cidades a teu lado
E inventar fábricas e Ciência,
Que o mundo não pode ser feito só por ti.


Fernando Sylvan
Em POEMAS DO TIMOR LORO SA'E
(Fernando Sylvan nasceu em 1917, na capital, Dili. Faleceu em 1993 na cidade de Cascais, Portugal, onde morou por grande parte da sua vida.)

2 comentários:

Rui Diniz disse...

Enorme Poema!

Emocionadas saudações poéticas ao Fernando Sylvan e agradecimentos ao Vitorino por me trazer mais uma pérola!

Grande abraço!

Debaixo do Bulcão disse...

É, de facto, um enorme poema.

No entanto, alguns erros (suponho que de ortografia), fazem com que seja algo ambíguo nalgumas passagens.

Devo referir que o poema foi copiado do endereço www.viegasdacosta.hpg.ig.com.br/timor/timorleste.htm
tal como lá se encontrava escrito.
Não me foi possível fazer uma revisão do texto, porque, infelizmente, não conheço nenhum outro local onde esteja publicada a obra deste autor.


Vitorino