quinta-feira, dezembro 14, 2006

Editorial


Ena, tantos peixinhos! Donde é que vieram estes peixinhos todos?, perguntou o Bulcão.
Não sejas parvo, puto! Então não se está mesmo a ver que vieram de cima!?, respondi-lhe eu.

A verdade é que o Bulcão já é um menino demasiado crescido para fazer perguntas destas. Foi isso que me irritou. Com dez anos e ainda tão ignorante, até parece que é estúpido!... "Donde é que vieram estes peixinhos todos"... Daah!!!... Atrasado mental!
Mas deixemos lá o puto com a sua lerdice e vamos ao que interessa. Ou seja: este editorial.
Portanto, deixa lá ver... uma década debaixo do bulcão, e tal, isto dá para escrever que... enfim... talvez... Porra, desisto! Nunca tive paciência (muito menos talento) para editorialista.
Epá, se quiserem saber coisas sobre o Bulcão leiam a minha confissãozita em debaixodobulcao.blogspot.com.
Já leram? Pronto, então ficaram a saber que a culpa é do DN Jovem e que... O quê, há aí quem não concorde? A história não é bem assim?
Oh, senhor António Boieiro, chegue-se à frente e conte a sua versão dos factos.
Afirma Boieiro: "A ideia que eu tinha de que a maioria das pessoas em Portugal não ouviam declamação fez-me procurar o porquê, isto há uns bons anos e aliás eu tive esta discussão com o António Vitorino e foi por causa desta discussão que surgiu a poezine, contracção de poesia e fanzine, Debaixo do Bulcão, nesta altura estava eu, o Vitorino e o João Mota no Ponto de Encontro – nome porque é conhecida em Cacilhas e em Almada a Casa Municipal da Juventude – e o António Vitorino volta-se para mim e diz-me ‘é pá, o que é que tu achas da malta fazer aí uma fanzine só de poesia? Ao que eu lhe respondi que achava a ideia bestial e afirmei isto porque a poesia está morta e o Vitorino no primeiro Editorial tal como nos aniversários costuma contar esta história ‘é pá, a poesia está morta em Portugal vamos lá fazer isto!’ E o João Mota corroborou ‘porreiro da vida, vamos a isso’ e começou por nós os três juntarmos umas quantas coisas que cada um tinha escrito e aderência foi tão grande, tão grande que já inúmera gente não só queria escrever para aquilo como escreveu ao ponto de eu concluir que Portugal continua a ser um país de poetas, cada português é um poeta porque a poesia está dentro de todos, está-lhes no sangue." (texto completo em http://fozibertogo3.no.sapo.pt/)
Pronto, tá bem, é verdade, é mais ou menos isso, só não sei se o João Mota estava lá ou se falei com ele noutra altura e... Olha outro a interromper. Diga lá, senhor Miguel Nuno... Eu devia contar como e onde apareceu a primeira edição? Pois é, que falta de rigor. Mas, meu amigo, tenha a bondade de nos brindar com um naco da sua prosa.
"Até parece que foi anteontem mas foi há dez anos já.
Em 1996, nasceu o poezine Debaixo do Bulcão onde vários jovens escritores, de Almada mas não só, publicaram alguns textos soltos de forma despretensiosa e simples, em edição policopiada e distribuída gratuitamente no decorrer da Feira Internacional do Fanzine, no Ponto de Encontro, em Cacilhas.
A fome compilatória do António Vitorino (não o socialista, o poeta e mentor do Debaixo do Bulcão) continuou anos fora, tendo lançado já mais de duas dezenas de edições, com uma periodicidade exemplarmente irregular.
O Debaixo do Bulcão manteve-se ao longo dos anos como nasceu, sem ambições para além da edição seguinte, dando origem a vários acontecimentos, como a peça de teatro “O Auto dos Pastores Brutos”, o concerto com os Éterea, na celebração do 5º aniversário ou as várias participações na Quinzena da Juventude de Almada.
Com um grafismo ora rude ora interventivo, o Debaixo do Bulcão tem assegurado os desabafos de muitos autores que nunca foram (e sabem que nunca virão a ser) publicados.
E que bom isso é." (em wiguelnuno.blogspot.com)
Fica registada a opinião. Deixem-me acrescentar que a primeira edição contou também com o incentivo desse grande fanzineiro chamado Pedro Morgado (na altura responsável pela referida Feira do Fanzine).
E pronto, que mais falta dizer? As coisas lá foram andando, umas vezes melhor outras vezes pior, no princípio eram só gajos a escrever ("Conseguimos aumentar o número de páginas e de colaboradores, mas defrontamo-nos com um grave problema que muito nos entristece, que é o facto de participarem poucas poetisas", lamentava-se o Jorge Feliciano no editorial do Bulcão nº2) mas entretanto foram aparecendo muitas poetisas... etc. etc. etc.
Olha, o puto acordou outra vez. Cala-te, pá, e deixa-me escrever o editorial. Que é que foi? Estás praí a resmungar o quê?
O QUÊ? OLHA QUE EU OUVI... QUEM É QUE É FILHO DUM CABRÃO?
- Sou eu, pai.
Ah, bom!

António Vitorino

debaixodobulcao@netcabo.pt

4 comentários:

Anónimo disse...

Saudações Vitorino.

Como não pude estar presente no lançamento da edição comemorativa, onde é que posso encontrar exemplares da dita?

Um abraço

ângela
www.mala-em-viagem.blogspot.com

Debaixo do Bulcão disse...

À Ângela Ribeiro e a todos os que procuram esta edição peço-vos que tenham um pouco de paciência, pois não posso garantir a distribuição de mais exemplares antes de Janeiro. Quando os tiver, entrego ao Miguel Nuno ou deixo no café Sabor & Art (numa sessão de poesia vadia, por exemplo).
Feliz Natal a todos!

Debaixo do Bulcão disse...

PS: Miguel Nuno, na Casa Amarela (Centro Cultural Juvenil de Santo Amaro), no Laranjeiro.

morgue disse...

Abraço Luminoso !!!