Liberdade
Ser livre é querer ir e ter um rumoe ir sem medo,mesmo que sejam vãos os passos.É pensar e logotransformar o fumodo pensamento em braços.É não ter pão nem vinho,só ver portas fechadas e pessoas hostise arrancar teimosamente do caminhosonhos de solcom fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exaustoe, mesmo assim,só de pensar gritargritare só de pensar irir e chegar ao fim.
Armindo RodriguesCavalgadaJá rebentei de correr
Sete cavalos a fio.
O primeiro era cinzento
Com sonhos de água sem fundo
E cor do norte o segundo
Com ferraduras de prata.
O terceiro era um mistério
E o quarto cor de agonia.
O quinto, de olhos em brasa,
Era só prata e espanto.
O sexto não se sabia
Se era cavalo, se vento.
Corria o sétimo tanto
Que nem a cor se lhe via.
Quanto mais ando mais meço
As distâncias que há em mim
Cada desejo é um fim
E cada fim um começo.
Armindo Rodrigues
Armindo José Rodrigues (Lisboa, 1904 – Lisboa, 8 de Agosto de 1993), foi um médico, tradutor e poeta português.

Armindo Rodrigues que se formou em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, é considerado um escritor do movimento neo-realista português. Grande parte da sua infância foi passada no Alentejo.
Colaborou em diversas revistas como a Colóquio-Letras (da Fundação Calouste Gulbenkian), a Seara Nova, a Vértice e em jornais como O Diabo e Notícias de bloqueio.
Tendo vivido durante o regime salazarista, e tendo ideias contrárias ao regime vigente, foi por diversas vezes preso. Na sua luta contra o fascismo, pertenceu a diversas organizações clandestinas. Participou nas campanhas
eleitorais de Arlindo Vicente e de Norton de Matos, nos anos 1945, 1949 e 1958.
Armindo Rodrigues fez parte do Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Foi um dos fundadores do PEN Club Português, juntamente com outros escritores portugueses de renome, tendo sido nomeado vogal.
Fez traduções de autores como André Malraux, Alain-Fournier, Mikhail Cholokov e Oscar Wilde
(Fonte: Wikipédia)
Armindo Rodrigues vai ser evocado este ano na Festa do Avante: num colóquio a realizar sexta-feira (5 de Setembro) às 21h00, no Café-Concerto de Lisboa.