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sábado, junho 26, 2010

uivando nas chagas rubras da manhã


hoje, não há espaço para
lágrimas a lamber nas feridas
apenas o sangue inundando o peito e
suspiros agudos, dolorosos
escorrendo na parede das ideias


Miguel Nuno

Debaixo do Bulcão poezine
Número 18 - Almada, junho 2002

terça-feira, junho 08, 2010

Imaginária Onda


Naufraguei em todos os
abismos da mente

Fui flor de lótus
nos Jardins de Bizâncio

Lágrimas salgadas
de Adamastor

O quinto vórtice
da pirâmide

Arco gótico de
catedral

Imaginária Onda

Cálice de doce
cicuta

Redenção de espírito
antigo

Montanha voadora
cipreste contador da
história
do mundo

Fábula encantada
deusa da luz
mulher de múltiplos seios
harpa de ciclope

Imaginária Onda

Tempestades de amor
feiticeiro da maré
sonho dos ventos
sacerdotiza da lua
guardião do espaço
volúvel forma
de néctar
veneno de Nero
serpente de Medusa
esperança de Pandora
tapete mágico
lâmpada de Aladino
gárgula de Nôtre-Dame


António Boieiro

Debaixo do Bulcão poezine
Número 18 - Almada, Junho 2002

No vídeo (do canal http://www.youtube.com/user/metoscano):o autor declama este poema durante uma sessão mensal de poesia vadia - Almada, 28 de Janeiro de 2008.

domingo, julho 29, 2007

Dúvida metódica...

...ou discurso do Velho do Restelo ao investigador científico


agora que descobriste a molécula
tens a certeza que descobriste a molécula?
eu sei que és sagaz
mas pensas que os teus olhos nunca te enganam?
descobriste o cristal, mereces o prémio nobel
mas tens a certeza que descobriste o cristal?
sim descobriste
mas sabes o que vive dentro daquilo que descobriste?
tens a certeza?
por dentro
viste?

António Vitorino

Debaixo do Bulcão poezine - número 18 - Almada Junho 2002

atlântico

onde todos os mares se rendem

e as vagas se acalmam...
onde se esboçam esperanças, e se
perdem angústias.
onde o céu combina com o mar
em perfeito bailado, pincelado
a tons de azul...


onde nos perdemos e encontramos
sem sairmos daqui...

onde cada verdade nasce
no cimo de uma onda
que esbate, na praia, tons de espuma...


onde cada dia é dia de te ter,
de te amar, de te querer
como se fosse o primeiro dia...


onde tudo começa e acaba
sem que o começo seja o fim. e o fim...
o princípio de nada.

onde nasce o poeta que dá,
à vida, o seu poema.


Quim Gouveia

Debaixo do Bulcão poezine
Número 18 - Almada, Junho 2002