O que sou não tem significado.
Tu és intrigante, como um stencil do Banksy.
Temo-te como um furor mesquinho
que desvio do meu alcance,
Nada mais foi como antes
pois comecei a sonhar.
Traço escalas de planos
nos meus sonhos rebuscados,
serias o filme perfeito!
Que nunca vou realizar…
Deixa-me colecionar vinis
recriar neles a nossa história.
No fim, resta um vazio.
Como agonia irónica
da qual eu me rio,
só para te irritar um pouquinho.
Como em máquina lomográfica
crio outra realidade, tendo a ser trágica.
Eu não escrevo livros
Tenho medo da verdade
E gosto das palavras soltas.
Sílvia Cunha
Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - Março 2013
(Ilustração: desenho de Sturrefsit Adjukaatrix)
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quinta-feira, abril 11, 2013
domingo, março 24, 2013
Memória Descritiva
Deixa-me ficar na minha redoma de vidro
onde anseio a eternidade fatal!
Vou disputar com Vénus motivos efémeros
para conquistar o verde e não por mal
juramos ser eternos
para o mútuo agrado que talvez partilhemos!
E em troca? Ofereces-me o silêncio
Eu nunca esperei menos!
Desenho-te com a luz da minha super 8
Face pálida e amarga
Carrego frames com esperança
De te ouvir uma palavra!
Mas esta cena nem tem diálogos!
Se os tivesse seriam censurados!
Eu mesma os teria cortado!
Porque a beleza mais pura
Não precisa de descrição
que interessa o motivo e a obra
se ele se eleva ao guião?
Seria a película mais bem gasta,
um plano longo que não acaba
Fechado na sua cara
Só suspira com a tensão.
Ele olha directo para a câmara
como quem desaprova.
Não quer ser arte,
A palavra incomoda!
Sílvia Cunha
Debaixo do Bulcão poezine
nº41 - março 2013
onde anseio a eternidade fatal!
Vou disputar com Vénus motivos efémeros
para conquistar o verde e não por mal
juramos ser eternos
para o mútuo agrado que talvez partilhemos!
E em troca? Ofereces-me o silêncio
Eu nunca esperei menos!
Desenho-te com a luz da minha super 8
Face pálida e amarga
Carrego frames com esperança
De te ouvir uma palavra!
Mas esta cena nem tem diálogos!
Se os tivesse seriam censurados!
Eu mesma os teria cortado!
Porque a beleza mais pura
Não precisa de descrição
que interessa o motivo e a obra
se ele se eleva ao guião?
Seria a película mais bem gasta,
um plano longo que não acaba
Fechado na sua cara
Só suspira com a tensão.
Ele olha directo para a câmara
como quem desaprova.
Não quer ser arte,
A palavra incomoda!
Sílvia Cunha
Debaixo do Bulcão poezine
nº41 - março 2013
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