terça-feira, março 26, 2013

O Discóbolo de Míron

Clássico entalhe da anônima
vitória.
E a icônica arte confinada
no plano altar, transita
(plena) em ângulos di-
versos, em versos angulares, re-
versos independentes. Além
da vista, sob pontos e pontes,
vomita
a estética postura do disco (movi-
mento que precede o lança-
mento). Onde a cinese ganha
distância, com a força
mítica
do músculo perfeito, me lanço
ícone
da (es)cultura anatômica.
Até ao limite da parábola
construo um poema harmônico
: mente e corpo e palavras vivas.
Vividas. Vivo agora, dentro e fora,
a descrever a pose e o
pós.

Sidnei Olívio

Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - março 2013

Excelentíssimos Estupores













A sanha do poder torna-os sedutores
Além das gravatas de todas as cores,
Distribuem rebuçados de vários sabores
Canetas beijos e sorrisos encantadores,
Porque no final querem sair vencedores.

A vitória floresce a troca de favores
Quase que parecem mercadores
Nos muitos jogos de bastidores
Em que são autênticos doutores
No seu notável papel de impostores.

Denunciados pelos comentadores
Fixam o sorriso amarelo nos televisores
Agarram a cartilha dos ditadores
E deixam cair a máscara de fingidores
Os excelentíssimos estupores.


Luís Milheiro


Debaixo do Bulcão poezine
N.º 41 - março 2013

(Imagem: arte urbana numa parede de Lisboa, 2010)

Manifesto Anti Esta Gente (tomado de empréstimo a José de Almada-Negreiros, Poeta d'Orpheu, Futurista e Tudo)

Basta pum basta!

Uma geração que consinta deixar-se representar por Esta Gente é uma geração que nunca o foi.

Abaixo a geração!

Uma geração com Esta Gente à proa é uma canoa em seco! Saberão gramática, saberão sintaxe, saberão TUDO menos exercer o Poder, que é a única coisa que fazem!

Eles são habilidosos!

Eles especulam!

Morram eles todos, morram! Pim!

E têem claque! E têem palmas! E agradecem!

Não é preciso disfarçar-se para ser salteador, basta ser como Esta Gente! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrizinho, basta ser muito delicado e usar olhos meigos!

Morram eles todos, morram! Pim!

Nasceram para provar que nem todos os que governam sabem governar!

São autómatos que deitam cá para fora o que a gente já sabe que vai sair... mas é preciso deitar outra coisa!

São escárnios da consciência!

São a vergonha da intelectualidade portuguesa! São a meta da decadência mental!

E ainda há quem não core quando diz admirá-los!

E ainda há quem lhes estenda a mão!

E quem lhes lave a roupa!

E ainda há quem duvide que não valem nada e que não sabem nada e que nem são inteligentes, nem decentes, nem zero!

Mas julgais que nisto se resume a política portuguesa? Não! Mil vezes não!

Morram eles todos, morram! Pim!

Portugal, que com todos estes senhores conseguiu a classificação de país mais atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abir os olhos um dia e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que tem de ser alguma coisa de asseado!

Morram eles todos! Morram! Pim!

Zé Carlos
Português do século XXI
Progressista e tudo!
2011

Debaixo do Bulcão poezine
n.º 41 - março 2013
(Ilustração: grafiti na Festa do Avante! 2012, Espaço da Juventude)

domingo, março 24, 2013

Aqui d'El-Rei das baratas

Em horas que já lá vão,
momentos gritantes de aflição,
a minha avó velhinha me dizia:
«Afastar baratas só fortemente bramindo
de janela bem aberta» - quem diria!

Ecoando sentido “aqui d'El-Rei!”,

o das baratas (o porquê não sei),
largavam tudo e debandavam.
Era vê-las trepando canos acima
e noutros lugares onde amontoavam!

Dizem-se nutritivas, comestíveis,
na verdade, ainda menos digeríveis
num impacto de grande radiação.
Pois venha a bomba atómica,
que já reclamam o apetite desta Nação...


Acredito ser caso de infestação nacional,
e se por acaso dominarem Portugal,
gritai agora “Aqui d' El-Rei das baratas!”.


Fogem tontas em passos perdidos,
deste fosso onde andamos metidos.




Rui Rocha



Debaixo do Bulcão poezine
nº41 -  março 2013

Viagem sem regresso marcado

Pela janela avisto a asa do avião…
Viajo leve, errante,
Com pouco mais do que um ponto de interrogação.
Assumindo a minha nova condição de emigrante,
Vejo-me obrigado
A deixar para trás o coração,
Impossível de ser acomodado
Na bagagem que seguiu para o porão…
Abandono a herança de um país pessimista,
Que por culpa própria abdicou do direito ao progresso
E que agora se despede de mim com um sorriso trocista
Deixando na minha mão um bilhete sem regresso…
Em tempos foste porto seguro em mar aberto,
Terra prometida para sonhos imaginados…
Hoje em dia és apenas um deserto
Onde jazem os feitos dos teus antepassados…
Deixaste-te enfeitiçar pela inebriante fragrância
Que exala da cadeira do poder,
E sucumbiste à voraz ganância
De secar a teta que te dava de beber…
Os abutres que te comeram o recheio
São os mesmos que agora de papo cheio,
Vêm bicar os olhos a quem tenta
Rapar os ossos da carcaça fedorenta…
E os descendentes do povo que conquistou o mar
Embarcam agora em nova epopeia.
Mas já não é sede de descoberta o que trazem no olhar…
O que os move é a apenas a ideia
De, com um mínimo de decência,
Poder para si próprios reclamar
O direito a algo mais do que a mera sobrevivência…
Uma necessidade tão orgânica e tão real
Como as lágrimas que me escorrem de forma incessante
Quando pela janela do avião vejo a ficar cada mais distante
O país que deixo para trás, Portugal…



André Fonseca


Debaixo do Bulcão poezine
nº41 -  março 2013



Memória Descritiva

Deixa-me ficar na minha redoma de vidro
onde anseio a eternidade fatal!
Vou disputar com Vénus motivos efémeros
para conquistar o verde e não por mal
juramos ser eternos
para o mútuo agrado que talvez partilhemos!
 

E em troca? Ofereces-me o silêncio
Eu nunca esperei menos!
Desenho-te com a luz da minha super 8
Face pálida e amarga
Carrego frames com esperança
De te ouvir uma palavra!
 

Mas esta cena nem tem diálogos!
Se os tivesse seriam censurados!
Eu mesma os teria cortado!
 

Porque a beleza mais pura
Não precisa de descrição
que interessa o motivo e a obra
se ele se eleva ao guião?
Seria a película mais bem gasta,
um plano longo que não acaba
Fechado na sua cara
Só suspira com a tensão.
Ele olha directo para a câmara
como quem desaprova.
Não quer ser arte,

A palavra incomoda!


Sílvia Cunha

Debaixo do Bulcão poezine
nº41 -  março 2013

Incógnita visita









E no fim
A armadilha atrai-nos
Entre luzes e sombras
Em direção às chamas


E no fim
Incógnita visita
Mundo com pressa de chegar à ruína
Volupias de carnificina


E no fim
Livre de toda a dor
Friamente iluminado
Seguras a lâmina de uma flor


Lino Átila

Debaixo do Bulcão poezine
nº41 - março 2013

(Ilustração: desenho de Sturrefsit Adjukaatrix)

segunda-feira, março 18, 2013

3ª Festa da poesia de Almada

No decorrer deste evento será distribuída a edição 41 do Debaixo do Bulcão Poezine.

domingo, fevereiro 17, 2013

Próxima edição: Março de 2013

O Debaixo do Bulcão vai ter nova edição em papel, a sair no Dia Mundial da Poesia, 21 de Março de 2013.
 Enviem-nos as vossas colaborações (poesia ou prosa, com a extensão máxima de 1 página em formato A4) até 10 de Março 
para
debaixodobulcao@gmail.com

quarta-feira, março 07, 2012

Como sabes


"Tímido como uma criança. Sou ignorante"
"O inverossímil em matéria de sentimentos é o sinal mais seguro da verdade."
(Liev Tolstói).

Ao relevo submisso do espelho admitiu sem negações outra de si. Sem expressão de noções ou julgamentos. Sem mágoas ou amarguras, isenta de culpa por talvez destroçar-lhes quaisquer ressentimentos. Alegrou a tristeza no segmento de um objetivo ou de um objeto para tudo o que suportava. Intrometeram-se luminescências que se fecharam abertamente nos florescimentos vindos de fora. E persistiam em diversos murmúrios. Como os dias iguais a todos os dias que ainda submergiam numa loucura feliz. Um acesso exterior e nada para partilhar, apesar do convite – o temor é perdedor assíduo da indiferença – a pior forma de amor que há.

A malha da insônia seria o anzol fosforescente do corpo indefeso. Perto dali morava um cedro cinqüentenário, um canto de corruíra, uma cerejeira onde alguém, com muito zelo, reservara sementes para lhe dar.

Afagou-lhe as pálpebras, os anéis dos cabelos, a face, as formas de pérola.
No seu abraço permitiu-lhe o abandono seguro de quem se sente amado.
Incondicionalmente. O quarto sempre à sua espera, o quadro de tulipas pousando
no coração azulado entre as paredes claras, o ensejo rosado a esperar-lhe o gosto singular, lençóis de algodão perfumados de maciez maternal. Uma ingênua liberdade toldava-lhe a tristeza adormecendo para reconfortar-se no amanhã, com um sorriso corajosamente inesquecível. Sobre uma luz difusa entre singelezas de fogo repetiu como uma canoa flutuante o langor que se perdera numa erva antiga, a cantiga que previa inteira e só por aquela noite a procurara como se soubesse não tê-la. “O inesquecível é o amor que sobra. Para algumas, e só para algumas coisas, que são para sempre.”

Aqueles olhos eram loucos e surdos. E eram também aqueles ouvidos com olhos. Porque há ouvidos cegos e fragores inaudíveis com olhares: E olhos mudos e lábios olhando as profusões invisíveis ao tato. O paladar pênsil do gesto sem lábios. Olhar sápido de olivas. E oliveiras repletas de retinas tocando o sol com brumas, com mãos de vinho... “que misteriosos olfatos escondeis além de vós? Precisarei de todos os sentidos ao mesmo tempo.” Ouviu um perfume qualquer que seu coração reconheceu, tocou-o de forma irreversível na escuridão, na proximidade ausente do momento que a prendia até que surgissem os delineamentos de consciência e subconsciência, o desconhecido perguntando se poderia resumir-se. Não com uma resposta qualquer. Tampouco com o retrocesso.

Sobrava-lhe o nada para expressar o mínimo, e não expor estranhamentos a caberem uns dentro dos outros – primaveras com floradas de gelo, verões sendo outonos mornos, invernos de calor a nevar no tropeço das nuvens. As oliveiras misturadas aos sândalos e madressilvas. Flores de laranjeira deslizando pelo tempo, entre as asas dos melros... um mero truque da imaginação, a memória talvez nem sua que se seguia por séculos.

E desse olfato surdo vê a completude indefinida em fractais. Nem tão abstratos assim, a imaginação do gosto lhe saliva a boca. “Não se lembrem de Pavlov. Houve uma vez em que me dei sais. Depois açúcares. Não há nada ou ...talvez alguma coisa aja fora de mim. Vejo novamente quando ouço e novamente toco quando olho. Outra vez me ouço quando degusto. E novamente me alimento quando tudo se mistura nesse inesgotável recurso de meia-estação.”

Multiplicou-se com rebeldia e graça por todas as frações da luz – no colo do ar e do tempo, como as areias juvenis... fecundando-se indefinidamente em oceanos pautados por um eco outro, do outro lado. O lado de dentro.


Tere Tavares

Texto publicado em
Debaixo do Bulcão poezine nº 40
Almada dezembro de 2011

Imagem: pintura de Tere Tavares em
http://m-eusoutros.blogspot.com/
(reproduzido com o consentimento da autora)

domingo, janeiro 22, 2012


O tempo passa.
A mão reescreve o sentimento de outras mãos num papel amarrotado. O teu olhar solidifica o vazio da minha visão e o meu corpo treme um pouco. Um olhar assim torna-se mecanismo de desilusão.
Como eu gostava ainda de saber escrever-te, o real é como uma máscara e sinto que perdi anos sem fim a preparar uma vida aqui e ali interrompida pela distância.
Acho que cheguei aquele ponto em que desistir ou continuar são o mesmo precepício onde todos os desejos se tornam realidade...

E então a queda.

Vigio ilhas separadas onde habitamos com o riso abafado num murmúrio perdido no espaço. Um mundo existe ainda neste riso vazio de sentimento e evoca uma dança.
Dançaremos talvez um dia no espaço da minha morte. Os gestos desses movimentos mostrar-se-ão com toda a inocência para provocar o desassossego.
Fogem-me as palavras dos bonitos poemas mas a culpa é do sol que ilumina o caminho e assim sei de cór o que me espera no fim.
Porém o tempo passa e tudo se esquece e não foi só por acaso que hoje não falei nenhuma vez da palavra amor.

Sem data,

Vang

Debaixo do Bulcão poezine nº40
Almada, dezembro 2011

crónicas do mundo - a linha do tempo

há quem diga que os dias são todos iguais. talvez num determinado momento assim pareça. quando o sonho anda escondido e a vida se limita ao círculo da rotina dos dias quotidianos. mas não são. nunca foram.

há o dia em que nos pomos de pé. e andamos. e começamos a olhar o mundo olhos nos olhos. o dia em que deixamos de ter sorrisos inocentes. e somos o centro do mundo. do pequeno mundo que é sempre o que nos rodeia. o dia do primeiro dente. do primeiro banho, isolados. em que somos um direito próprio. o dia do primeiro arrufo. da birra dos sentimentos. que rapidamente se instalam e nos tornam diferentes dos outros animais. somos mais perigosos.

o dia dos primeiros passos rumo à escola. na descoberta de outros amigos. outras brincadeiras. o dia do primeiro exame. do nervoso miudinho. da insegurança. do primeiro beijo. que demorou não mais de três segundos, mas que nunca mais acaba. e que por ser o primeiro será sempre o mais perfeito. o dia dos primeiros jogos às escondidas. das corridas atrás das raparigas. da primeira ida ao cinema, ao teatro. da primeira saída. do primeiro pecado. num qualquer canto.

o dia em nos começam a crescer pêlos, onde antes tudo era liso. o dia em que achamos que somos homens quando passamos a fazer a barba. e não queremos. do primeiro concerto. da primeira entrevista de emprego. da descoberta de que afinal não somos todos iguais. e que há uns mais iguais que outros. da primeira namorada. da primeira mulher. o dia em que escrevemos cartas de amor. e as recebemos. depois em que apenas as recebemos ou as escrevemos. e o dia em que nem uma coisa nem outra.

o dia do primeiro filho. o dia em que somos tios e mais tarde avós. e repetimos novamente todos os rituais. o dia do primeiro cabelo branco. da primeira ruga. o dia em que os pêlos vão caindo. e o dia em que são outros que cuidam de nós. tal e qual, como quando éramos crianças. esses, são os dias em que já pouco importa. a não ser se seremos pó ou cinza.

e depois há os dias assim, como hoje. em que falamos dos dias do futuro. que são já passado. porque afinal o presente, não existe. é apenas uma linha imaginária do tempo.

almada, in crónicas do mundo, agosto/2011


a faustino

Debaixo do Bulcão poezine nº40
Almada, dezembro 2011

sexta-feira, janeiro 06, 2012

Sem título


O piano impõe a sua mudez
desafinada
enquanto as horas atropelam,
em serenos sussurros,
a impavidez do corpo.
O teto afunda-se
sob a pele,
aconchegando a dor
em suaves volúpias.
Papel de embrulho
para ruínas biológicas.
Num aceno de coisa nenhuma,
retro escavo até ao osso
em busca da toupeira
que me come a vontade.
Mas logo me canso
e deixo-me ficar a
assistir ao banquete.

F.S. Hill
novembro 2011

Debaixo do Bulcão poezine nº40
Almada, dezembro 2011

O MELHOR AMIGO




Olho-te com carinho
Afago a tua alma
Sinto o cheiro do teu corpo…

Acaricio-te ao de leve
Tatuo o meu sentir na tua pele
Vejo-me nas tuas linhas…

Afasto a solidão
Sonho com o infinito
Encontro a felicidade…

Perco a noção do tempo
Partilho as tuas lembranças
Navego num mar de recordações…

Sinto-me livre só de te olhar
Mais segura e confiante
Aqui ou em qualquer lugar…

Estás sempre a meu lado
Ouves-me com atenção
Sem ti não sei viver…

És o meu melhor amigo
Aquele que nunca me abandona
Em quem posso sempre confiar…

LIVRO é o teu nome
Que pronuncio com prazer
E a quem amarei até morrer.

Minda

Debaixo do Bulcão poezine nº40
Almada, dezembro 2011

quarta-feira, dezembro 28, 2011


Falta pouco até que todas as capitais se juntem numa só marcha
Pelo Respeito e pela Verdade! O nosso conhecimento já é demais,
Vemos pelos satélites quanto custou o que vocês deitam fora
Que nós poderíamos provar de bom grado, e saborear juntos, se
Nao tivéssemos de nos agarrar ao emprego de que não gostamos!

Mas não somos preguiçosos nem nunca seremos mentirosos!
Podem ficar com vossos iates e vossos aquários em quarentena
Longe da presença de pessoas normais cujas mãos vos dão,
Indirectamente, de comer, enquanto lá especulam nós festejamos
Com o emocionalmente necessário de que precisamos para ser felizes!

Já vos demos décadas de chances para sairem desse buraco negro
Porque sabemos tudo que sempre se tem passado, mas parecem não
Querer ouvir que estão errados e existe honestidade neste mundo
Que usa o coração como arma para defender a imortal alma humana,
Em vez da vossa infantil ganância presunçosa dum estatuto já podre!

Não existem ofertas à vista, só promoções para enganar ceguinhos
Que lá se deixam escravizar esperando as proximas eleições – Eles
Até do lixo dos supermercados nos fecham à chave, com lixívia ou
Vidros espalhados como presente de Natal para enregelares sem
Telhado onde chorar as misérias que o despedimento te faz passar!

Foi já há muito esquecido o que diziam que tinhas tanto jeito para fazer,
Tiveste de crescer, trabalhar para ajudar a família, sacrificar talento
Pela elite que os economistas alimentam como se fosse direito feudal,
Trocar neo-liberalismo por ética pessoal e ver-se consumido pelo bicho
Acumulativo, dinheiro-dependente, mandando outro milhão para a veia!


Nós culpamos o sistema como se este nao fosse comandado por pessoas
Que se maltratam e se burlam pelas hipócritas costas mal querem e podem,
Cobaias dentro do mesmo obscuro jogo egoísta por lucro e mais-valia,
Brincando com o escalpe das nações e as reformas dos nossos pais por
Algum orgulho obtuso de ser o perverso que quer sempre ficar por cima!

Fui e voltei das compras, está tudo mais caro e todos perguntam porque?
A lei dos politicos é devota aos bancos que definem a mesada dos paises!
Queria sonhar com bombas que matem só aqueles que não sabem partilhar
Porque nunca precisaram, era o mordomo que ia às reuniões da escola,
Nunca conheceram a visão de uma migalha de pão servir de refeição…

…mas conhecerão! Já que nada faz sentido e o ouro foi trocado por papel,
Quero que roubem, que se manifestem, que recusem cada injustiça diária
Tal como a militarização da vossa liberdade imbuída na iliteracia da polícia
Que em vez de proteger, persegue, e em vez de servir, manipula e decide!

O amor da maioria já cintila por revolução, independência e bom senso!
Basta de gozarem e escarrarem nas esperanças dos que vos fazem ricos,
Ouço os passos mortiferos do cadafalso aproximarem-se silenciosamente
E imparáveis por serem protegidos pela Razão e guiados pela Vingança!


Joao Meirinhos
Outubro 2011
Tallinn

Debaixo do Bulcão poezine nº 40
Almada, dezembro 2011

(Imagem: foto de Walker Pickering encontrada em http://estherbarend.blogspot.com/)