terça-feira, dezembro 21, 2010
3 and a half pages
3 men
In the desert
3 blows of
Hot air
3 twisters on the
Horizon
3 books on the
Bonfire
3 suns on the
Sunset
3 colours off
The rainbow
3 tears in the
Ocean
3 years
On the run
3 figures
On the wall
3 wiseman
Going insane
3 flowers
With a thirst
3 glasses with
No liquor
3 bottles
All alone
3 laughs
In the rain
3 wounds and
No pain
3 bitches with
No wish
3 fears and
A tear
3 pieces of
A game
3 stars in
Loneliness
3 thoughts of
Desolution
3 mirrors in
Reflexion
3 creatures of
One love
3 traps for
The mice
3 points for
Shakille
3 cracks and
A shout
3 smokes on
The weed
3 shakes on
Dirty hands
3 fantasies on
My mind
3 brokenheart
Women
3 riots on
The ship
3 veils
Unbroken
3 fucks
In a row
3 walks in
The park
3 children in
The dark
3 pages and
A half
With no sense
Nor any kind of
Sense.
Miguel Nuno
Debaixo do Bulcão poezine
Número 1 - Almada, Dezembro 1996
In the desert
3 blows of
Hot air
3 twisters on the
Horizon
3 books on the
Bonfire
3 suns on the
Sunset
3 colours off
The rainbow
3 tears in the
Ocean
3 years
On the run
3 figures
On the wall
3 wiseman
Going insane
3 flowers
With a thirst
3 glasses with
No liquor
3 bottles
All alone
3 laughs
In the rain
3 wounds and
No pain
3 bitches with
No wish
3 fears and
A tear
3 pieces of
A game
3 stars in
Loneliness
3 thoughts of
Desolution
3 mirrors in
Reflexion
3 creatures of
One love
3 traps for
The mice
3 points for
Shakille
3 cracks and
A shout
3 smokes on
The weed
3 shakes on
Dirty hands
3 fantasies on
My mind
3 brokenheart
Women
3 riots on
The ship
3 veils
Unbroken
3 fucks
In a row
3 walks in
The park
3 children in
The dark
3 pages and
A half
With no sense
Nor any kind of
Sense.
Miguel Nuno
Debaixo do Bulcão poezine
Número 1 - Almada, Dezembro 1996
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Abismo
sábado, dezembro 18, 2010
Dados técnicos e mortais sobre a G-3 e os vários prazeres de um militar "normal" com uma G-3

A G-3 é uma arma automática de cano fixo que funciona por
acção indirecta de gases o que diz muito sobre a nossa
ligação indirecta com a G-3.
A G-3 contém 19 munições que equivalem a:
19 animais tanto por fome como por prazer este último inclui
bestialidade com animais mortos
19 famílias que inclui tias chatas antipáticas e da linha,
avôs fascistas que estão sempre arrochados no teu lugar
preferido na sala e claro por último mas não menos importante
grandes heranças, tias sovinas, irmãos e primos agarrados ao
pó, enfim continuando lá ia o stock do exército
19 superiores (sem comentários)
19 skins (idem idem aspas aspas)
19 junkies são munições desperdiçadas mas mesmo assim
só pelo prazer
Alcance máximo 3.800 m. acompanhado por duas frases célebres
"confia na virgem e não corrras"
"podes correr mas não te podes esconder"
Peso da arma 3.950 g.
que é tanga militar, ao fim de uma hora passa para o
dobro ou triplo do peso
Velocidade inicial do projéctil: 700 a 800 m. p/segundo
Velocidade final do projéctil: morta
Peso do carregador vazio: 0,280 g.
peso que não convém em tempos de guerra (infelizmente não
temos ninguém vivo para confirmar esta tese em termos práticos)
DADOS GENTILMENTE CEDIDOS POR FONTE ANÓNIMA RESIDENTE EM
PAÍS ESTRANGEIRO QUE DEPOIS DE TER PASSADO DA TEORIA À
PRÁTICA DECIDIU MUDAR DE PROFISSÃO IDENTIDADE E SEXO.
Z. BTTA
Debaixo do Bulcão poezine
Número 1 - Almada, Dezembro 1996
domingo, dezembro 12, 2010
Fantoches do desejo

Pinto o desejo de momentos, que fazem de ti um rio de cores
Que nunca soube atravessar o deserto frio de teu olhar
Cruzo as ruas da loucura, corôo o mundo de espinhos
Dizes que ainda somos um, mas eu sinto-me tão sozinho
Vendo sonhos para nunca me chamarem de frustrado
Intrigas-me e eu perdoo-te ainda somos dois no mesmo jogo
Pagas para veres sentir estar tão perto do fim
Faço de conta que te esqueço, posso eu fugir de mim?
E eu vim só para te ver
Agora que o comboio já passou
Aplaudam a decadência, o espectáculo já acabou
Mas eu faço de conta que ainda agora começou
E quanto mais eu fugir
Mais correm atrás de mim
Para que eu nunca me esqueça
Que estou tão perto do fim
Deitar tudo a perder
Por uma noite ou um beijo
Pinto de negro a loucura
Fantoches do desejo
Fecho os olhos... talvez te encontre na escuridão
Abro as portas que um dia se transformaram em prisão
Navego no meio do lodo, tenho todo o tempo do mundo
Para fugir ao desespero, ou será apenas ilusão
Revela-me os segredos que turvam a tua alma,
Deixa-me saltar os muros que impões à tua volta
Não te escondas na promessa, que nunca poderás cumprir
Faltam-te agora as palavras, no fim só te resta fugir
Deitar tudo a perder
Por uma noite ou um beijo
Pinto de negro a loucura
Fantoches do desejo...
Aarons Bia
Debaixo do Bulcão poezine
Número 1 - Almada, Dezembro 1996
sábado, dezembro 11, 2010
Vazio de ideias feito
Sala estava já cheia,
Completa pelo ambiente vazio.
Aquele que a enche está presente
Prumo potente que segura
A palha de cobertura
A sala composta mais
Que um simples par de empregados
Há força trabalhadora
Que trepa o tracejado
Da tarefa
A sala está linda
Trespassada pelo azul
Ora longe ora perto
Ideia longa que só se lembra
Límpida e legitimante lutadora
A sala, essa ainda lá está
A sala, essa já lá esteve
E conteve o vaivem de vozes
E vergonhas vazias de vida
Aurélio Engeerling Auffass
Debaixo do Bulcão poezine
Número 1 - Almada, Dezembro 1996
Completa pelo ambiente vazio.
Aquele que a enche está presente
Prumo potente que segura
A palha de cobertura
A sala composta mais
Que um simples par de empregados
Há força trabalhadora
Que trepa o tracejado
Da tarefa
A sala está linda
Trespassada pelo azul
Ora longe ora perto
Ideia longa que só se lembra
Límpida e legitimante lutadora
A sala, essa ainda lá está
A sala, essa já lá esteve
E conteve o vaivem de vozes
E vergonhas vazias de vida
Aurélio Engeerling Auffass
Debaixo do Bulcão poezine
Número 1 - Almada, Dezembro 1996
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Caligrafia

Escrever é muito bom
E é também sinal de que já
Somos homenzinhos.
Mas é preciso que nos entendam
Para isso exercitamos a caligrafia.
Depois, podemos exercitar as ideias,
Mas, primeiro a caligrafia -
Dizia a régua de pau feita
(Não sei já em que ano foi)
Na mãozinha calejada do meu avô.
Sturrefsit Adjukaatrix
Debaixo do Bulcão poezine
Número 1 - Almada, Dezembro de 1996
sexta-feira, outubro 22, 2010
Fragmentos da infância

Viço da infância
Destituía a maioridade
Na leveza das consciências
Cegava a realidade
Ansiosos do futuro
Mergulhavam os puros
Sonhando com albores da vida
Transformavam suas idas
Desprovidos da sensualidade
Conhecimento era curiosidade
Música, intenso prazer
Como era sedutor aprender!
Eloisa Menezes Pereira
Destituía a maioridade
Na leveza das consciências
Cegava a realidade
Ansiosos do futuro
Mergulhavam os puros
Sonhando com albores da vida
Transformavam suas idas
Desprovidos da sensualidade
Conhecimento era curiosidade
Música, intenso prazer
Como era sedutor aprender!
Eloisa Menezes Pereira
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(ilustração de André Antunes)
segunda-feira, outubro 18, 2010
intervalos de escuridão e luz

o q é a angústia?
o q é uma fachada?
é uma porta aberta
e uma fechada
intervalos de escuridão
e luz
barreiras
atalhos
passagens secretas
das correctas para as incorrectas
seguindo as setas
tantas vezes de mão dadas
ou solitários como poetas
fazendo as perguntas certas
e escolhendo as respostas erradas
o q é a angústia?
o q é uma fachada?
é uma porta aberta
e uma fechada
intervalos de escuridão
e luz
barreiras
atalhos
passagens secretas
das correctas para as incorrectas
seguindo as setas
tantas vezes de mão dadas
ou solitários como poetas
fazendo as perguntas certas
e escolhendo as respostas erradas
o q é a angústia?
Carolina Rodrigues
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
quinta-feira, outubro 14, 2010
Corpos

Encontro no teu ventre
O sonho de me perder
E nos teus lábios
Acordo todas as madrugadas
Descendo pela tua pela
E pelo teu corpo
Entendo como se levanta
O vulcão do teu prazer
Rasgo a fúria
De me fechares nas tuas pernas
Enquanto brota de dentro de ti
O rio que leva o néctar
À floresta das túlipas
Somos amantes das cavernas
E das trompas que tocam
Num rufar de pernas e abraços
Deitados no chão das montanhas
Quero possuir-te na concha dos deuses
Em espaços para não adiar o amor
Inventando lugar de encanto
Em camas de todos os prazeres
Victor Serra
2/2/2010
O sonho de me perder
E nos teus lábios
Acordo todas as madrugadas
Descendo pela tua pela
E pelo teu corpo
Entendo como se levanta
O vulcão do teu prazer
Rasgo a fúria
De me fechares nas tuas pernas
Enquanto brota de dentro de ti
O rio que leva o néctar
À floresta das túlipas
Somos amantes das cavernas
E das trompas que tocam
Num rufar de pernas e abraços
Deitados no chão das montanhas
Quero possuir-te na concha dos deuses
Em espaços para não adiar o amor
Inventando lugar de encanto
Em camas de todos os prazeres
Victor Serra
2/2/2010
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
segunda-feira, outubro 11, 2010
Anjos, Lx

caras
línguas que não conheço
só reconheço os olhares
que são universais
alguns cheiros mas nem todos
alguns são demasiado internacionais
um homem cambaleia
tropeçando na sua vida e na sua morte
à sua sorte
duas cores
trocam palavras
trocam favores
experimentam-se sabores
aqui
eu não sou ninguém
sou uma raça
sou uma branca
alguém
todos andam agrupados
pouco misturados
quando se juntam
é para trocar
comprar
vender
estas três coisas
estão sempre a acontecer
do amanhecer
ao anoitecer
numa loja
numa esquina
uma troca tem de ocorrer
numa zona de vício
de miséria
o dia não acaba
o corpo não acalma
há uma sede de abandono
ao que nos deixa
completos e dormentes
mesmo que cada vez mais
incompletos e infelizes
o meu cérebro paira
entre a palavra e a cor
como um trovador
canto
e conto
estas histórias que vejo
nesta vida que tenho percorrido
guardo frases
que não serão repetidas
Carolina Rodrigues
línguas que não conheço
só reconheço os olhares
que são universais
alguns cheiros mas nem todos
alguns são demasiado internacionais
um homem cambaleia
tropeçando na sua vida e na sua morte
à sua sorte
duas cores
trocam palavras
trocam favores
experimentam-se sabores
aqui
eu não sou ninguém
sou uma raça
sou uma branca
alguém
todos andam agrupados
pouco misturados
quando se juntam
é para trocar
comprar
vender
estas três coisas
estão sempre a acontecer
do amanhecer
ao anoitecer
numa loja
numa esquina
uma troca tem de ocorrer
numa zona de vício
de miséria
o dia não acaba
o corpo não acalma
há uma sede de abandono
ao que nos deixa
completos e dormentes
mesmo que cada vez mais
incompletos e infelizes
o meu cérebro paira
entre a palavra e a cor
como um trovador
canto
e conto
estas histórias que vejo
nesta vida que tenho percorrido
guardo frases
que não serão repetidas
Carolina Rodrigues
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
sábado, outubro 09, 2010
Uma homenagem a John Lennon (9 outubro 1940 - 8 dezembro 1980)
"A Day in The Life", um dos grandes poemas que Lennon compôs para os Beatles.
quinta-feira, outubro 07, 2010
Superação

Cerrou-se o portal
Com uma pálida luz
Pensamento mortal
Minha sina, minha cruz.
Na cegueira repentina
Da pupila solitária
Sem lume na retina
Negligente luminária.
Embaraçou o nervo secreto
Sem ilusão de ótica
Da luz, um furto discreto
Na ação caótica.
No reflexo cambiante
Eis uma cena difusa
No meu passo hesitante
Muito mais confusa.
Como cruel navalha
Dilacerou minha segurança
Ergueu-se uma muralha
Dissipou minha esperança.
Sem estímulo luminoso
Orei por um indulto
E o pedido silencioso
Não quero apenas um vulto.
Cintilantes lantejoulas
Já avisto sem luneta
Sem o ópio das papoulas
Exalto a cura em opreta.
Mônica Quinderé
Com uma pálida luz
Pensamento mortal
Minha sina, minha cruz.
Na cegueira repentina
Da pupila solitária
Sem lume na retina
Negligente luminária.
Embaraçou o nervo secreto
Sem ilusão de ótica
Da luz, um furto discreto
Na ação caótica.
No reflexo cambiante
Eis uma cena difusa
No meu passo hesitante
Muito mais confusa.
Como cruel navalha
Dilacerou minha segurança
Ergueu-se uma muralha
Dissipou minha esperança.
Sem estímulo luminoso
Orei por um indulto
E o pedido silencioso
Não quero apenas um vulto.
Cintilantes lantejoulas
Já avisto sem luneta
Sem o ópio das papoulas
Exalto a cura em opreta.
Mônica Quinderé
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(Paginação de André Antunes)
segunda-feira, outubro 04, 2010
O medo

Noite de jangadas e de medos
Tempo que resta para encontros
Enquanto o silêncio se apodera
Do que inventamos nos jornais
Como se o tempo da outra senhora
Voltasse tranquilamente alienando
As memórias de já não sentirmos nada
Do que nos cala... e vamos consentindo
Mas nada nos calará a revolta
Que trazemos nas palavras
Nem somos acomodados do deixa andar
E sabemos... quem nos empurra para o abismo
Victor Serra
24-11-2009
Tempo que resta para encontros
Enquanto o silêncio se apodera
Do que inventamos nos jornais
Como se o tempo da outra senhora
Voltasse tranquilamente alienando
As memórias de já não sentirmos nada
Do que nos cala... e vamos consentindo
Mas nada nos calará a revolta
Que trazemos nas palavras
Nem somos acomodados do deixa andar
E sabemos... quem nos empurra para o abismo
Victor Serra
24-11-2009
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(Ilustração de André Antunes)
domingo, outubro 03, 2010
Construção

Esculpi
na pedra bruta,
o meu sentir e a minha alma.
Por entre as colunas do templo,
voam os meus afectos e sentimentos.
Lentamente, mas segura da razão
a obra nasce em consciência...
Caminho de olhos bem abertos,
a obra nasce em consciência...
Caminho de olhos bem abertos,
apoiado um bordão de acácia
em direcção ao Supremo.
De cabeça erguida,
enfrento ventos e silêncios.
Tudo é perfeito...
o aroma das rosas aguça-me.
No céu, entre astros
realça a estrela d'Alva.
A essência e o profano
transporta o astro-rei.
A obra floresce, a pedra está polida.
Artur Vaz
na pedra bruta,
o meu sentir e a minha alma.
Por entre as colunas do templo,
voam os meus afectos e sentimentos.
Lentamente, mas segura da razão
a obra nasce em consciência...
Caminho de olhos bem abertos,
a obra nasce em consciência...
Caminho de olhos bem abertos,
apoiado um bordão de acácia
em direcção ao Supremo.
De cabeça erguida,
enfrento ventos e silêncios.
Tudo é perfeito...
o aroma das rosas aguça-me.
No céu, entre astros
realça a estrela d'Alva.
A essência e o profano
transporta o astro-rei.
A obra floresce, a pedra está polida.
Artur Vaz
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
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