Sala estava já cheia,
Completa pelo ambiente vazio.
Aquele que a enche está presente
Prumo potente que segura
A palha de cobertura
A sala composta mais
Que um simples par de empregados
Há força trabalhadora
Que trepa o tracejado
Da tarefa
A sala está linda
Trespassada pelo azul
Ora longe ora perto
Ideia longa que só se lembra
Límpida e legitimante lutadora
A sala, essa ainda lá está
A sala, essa já lá esteve
E conteve o vaivem de vozes
E vergonhas vazias de vida
Aurélio Engeerling Auffass
Debaixo do Bulcão poezine
Número 1 - Almada, Dezembro 1996
sábado, dezembro 11, 2010
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Caligrafia

Escrever é muito bom
E é também sinal de que já
Somos homenzinhos.
Mas é preciso que nos entendam
Para isso exercitamos a caligrafia.
Depois, podemos exercitar as ideias,
Mas, primeiro a caligrafia -
Dizia a régua de pau feita
(Não sei já em que ano foi)
Na mãozinha calejada do meu avô.
Sturrefsit Adjukaatrix
Debaixo do Bulcão poezine
Número 1 - Almada, Dezembro de 1996
sexta-feira, outubro 22, 2010
Fragmentos da infância

Viço da infância
Destituía a maioridade
Na leveza das consciências
Cegava a realidade
Ansiosos do futuro
Mergulhavam os puros
Sonhando com albores da vida
Transformavam suas idas
Desprovidos da sensualidade
Conhecimento era curiosidade
Música, intenso prazer
Como era sedutor aprender!
Eloisa Menezes Pereira
Destituía a maioridade
Na leveza das consciências
Cegava a realidade
Ansiosos do futuro
Mergulhavam os puros
Sonhando com albores da vida
Transformavam suas idas
Desprovidos da sensualidade
Conhecimento era curiosidade
Música, intenso prazer
Como era sedutor aprender!
Eloisa Menezes Pereira
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(ilustração de André Antunes)
segunda-feira, outubro 18, 2010
intervalos de escuridão e luz

o q é a angústia?
o q é uma fachada?
é uma porta aberta
e uma fechada
intervalos de escuridão
e luz
barreiras
atalhos
passagens secretas
das correctas para as incorrectas
seguindo as setas
tantas vezes de mão dadas
ou solitários como poetas
fazendo as perguntas certas
e escolhendo as respostas erradas
o q é a angústia?
o q é uma fachada?
é uma porta aberta
e uma fechada
intervalos de escuridão
e luz
barreiras
atalhos
passagens secretas
das correctas para as incorrectas
seguindo as setas
tantas vezes de mão dadas
ou solitários como poetas
fazendo as perguntas certas
e escolhendo as respostas erradas
o q é a angústia?
Carolina Rodrigues
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
quinta-feira, outubro 14, 2010
Corpos

Encontro no teu ventre
O sonho de me perder
E nos teus lábios
Acordo todas as madrugadas
Descendo pela tua pela
E pelo teu corpo
Entendo como se levanta
O vulcão do teu prazer
Rasgo a fúria
De me fechares nas tuas pernas
Enquanto brota de dentro de ti
O rio que leva o néctar
À floresta das túlipas
Somos amantes das cavernas
E das trompas que tocam
Num rufar de pernas e abraços
Deitados no chão das montanhas
Quero possuir-te na concha dos deuses
Em espaços para não adiar o amor
Inventando lugar de encanto
Em camas de todos os prazeres
Victor Serra
2/2/2010
O sonho de me perder
E nos teus lábios
Acordo todas as madrugadas
Descendo pela tua pela
E pelo teu corpo
Entendo como se levanta
O vulcão do teu prazer
Rasgo a fúria
De me fechares nas tuas pernas
Enquanto brota de dentro de ti
O rio que leva o néctar
À floresta das túlipas
Somos amantes das cavernas
E das trompas que tocam
Num rufar de pernas e abraços
Deitados no chão das montanhas
Quero possuir-te na concha dos deuses
Em espaços para não adiar o amor
Inventando lugar de encanto
Em camas de todos os prazeres
Victor Serra
2/2/2010
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
segunda-feira, outubro 11, 2010
Anjos, Lx

caras
línguas que não conheço
só reconheço os olhares
que são universais
alguns cheiros mas nem todos
alguns são demasiado internacionais
um homem cambaleia
tropeçando na sua vida e na sua morte
à sua sorte
duas cores
trocam palavras
trocam favores
experimentam-se sabores
aqui
eu não sou ninguém
sou uma raça
sou uma branca
alguém
todos andam agrupados
pouco misturados
quando se juntam
é para trocar
comprar
vender
estas três coisas
estão sempre a acontecer
do amanhecer
ao anoitecer
numa loja
numa esquina
uma troca tem de ocorrer
numa zona de vício
de miséria
o dia não acaba
o corpo não acalma
há uma sede de abandono
ao que nos deixa
completos e dormentes
mesmo que cada vez mais
incompletos e infelizes
o meu cérebro paira
entre a palavra e a cor
como um trovador
canto
e conto
estas histórias que vejo
nesta vida que tenho percorrido
guardo frases
que não serão repetidas
Carolina Rodrigues
línguas que não conheço
só reconheço os olhares
que são universais
alguns cheiros mas nem todos
alguns são demasiado internacionais
um homem cambaleia
tropeçando na sua vida e na sua morte
à sua sorte
duas cores
trocam palavras
trocam favores
experimentam-se sabores
aqui
eu não sou ninguém
sou uma raça
sou uma branca
alguém
todos andam agrupados
pouco misturados
quando se juntam
é para trocar
comprar
vender
estas três coisas
estão sempre a acontecer
do amanhecer
ao anoitecer
numa loja
numa esquina
uma troca tem de ocorrer
numa zona de vício
de miséria
o dia não acaba
o corpo não acalma
há uma sede de abandono
ao que nos deixa
completos e dormentes
mesmo que cada vez mais
incompletos e infelizes
o meu cérebro paira
entre a palavra e a cor
como um trovador
canto
e conto
estas histórias que vejo
nesta vida que tenho percorrido
guardo frases
que não serão repetidas
Carolina Rodrigues
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
sábado, outubro 09, 2010
Uma homenagem a John Lennon (9 outubro 1940 - 8 dezembro 1980)
"A Day in The Life", um dos grandes poemas que Lennon compôs para os Beatles.
quinta-feira, outubro 07, 2010
Superação

Cerrou-se o portal
Com uma pálida luz
Pensamento mortal
Minha sina, minha cruz.
Na cegueira repentina
Da pupila solitária
Sem lume na retina
Negligente luminária.
Embaraçou o nervo secreto
Sem ilusão de ótica
Da luz, um furto discreto
Na ação caótica.
No reflexo cambiante
Eis uma cena difusa
No meu passo hesitante
Muito mais confusa.
Como cruel navalha
Dilacerou minha segurança
Ergueu-se uma muralha
Dissipou minha esperança.
Sem estímulo luminoso
Orei por um indulto
E o pedido silencioso
Não quero apenas um vulto.
Cintilantes lantejoulas
Já avisto sem luneta
Sem o ópio das papoulas
Exalto a cura em opreta.
Mônica Quinderé
Com uma pálida luz
Pensamento mortal
Minha sina, minha cruz.
Na cegueira repentina
Da pupila solitária
Sem lume na retina
Negligente luminária.
Embaraçou o nervo secreto
Sem ilusão de ótica
Da luz, um furto discreto
Na ação caótica.
No reflexo cambiante
Eis uma cena difusa
No meu passo hesitante
Muito mais confusa.
Como cruel navalha
Dilacerou minha segurança
Ergueu-se uma muralha
Dissipou minha esperança.
Sem estímulo luminoso
Orei por um indulto
E o pedido silencioso
Não quero apenas um vulto.
Cintilantes lantejoulas
Já avisto sem luneta
Sem o ópio das papoulas
Exalto a cura em opreta.
Mônica Quinderé
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(Paginação de André Antunes)
segunda-feira, outubro 04, 2010
O medo

Noite de jangadas e de medos
Tempo que resta para encontros
Enquanto o silêncio se apodera
Do que inventamos nos jornais
Como se o tempo da outra senhora
Voltasse tranquilamente alienando
As memórias de já não sentirmos nada
Do que nos cala... e vamos consentindo
Mas nada nos calará a revolta
Que trazemos nas palavras
Nem somos acomodados do deixa andar
E sabemos... quem nos empurra para o abismo
Victor Serra
24-11-2009
Tempo que resta para encontros
Enquanto o silêncio se apodera
Do que inventamos nos jornais
Como se o tempo da outra senhora
Voltasse tranquilamente alienando
As memórias de já não sentirmos nada
Do que nos cala... e vamos consentindo
Mas nada nos calará a revolta
Que trazemos nas palavras
Nem somos acomodados do deixa andar
E sabemos... quem nos empurra para o abismo
Victor Serra
24-11-2009
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(Ilustração de André Antunes)
domingo, outubro 03, 2010
Construção

Esculpi
na pedra bruta,
o meu sentir e a minha alma.
Por entre as colunas do templo,
voam os meus afectos e sentimentos.
Lentamente, mas segura da razão
a obra nasce em consciência...
Caminho de olhos bem abertos,
a obra nasce em consciência...
Caminho de olhos bem abertos,
apoiado um bordão de acácia
em direcção ao Supremo.
De cabeça erguida,
enfrento ventos e silêncios.
Tudo é perfeito...
o aroma das rosas aguça-me.
No céu, entre astros
realça a estrela d'Alva.
A essência e o profano
transporta o astro-rei.
A obra floresce, a pedra está polida.
Artur Vaz
na pedra bruta,
o meu sentir e a minha alma.
Por entre as colunas do templo,
voam os meus afectos e sentimentos.
Lentamente, mas segura da razão
a obra nasce em consciência...
Caminho de olhos bem abertos,
a obra nasce em consciência...
Caminho de olhos bem abertos,
apoiado um bordão de acácia
em direcção ao Supremo.
De cabeça erguida,
enfrento ventos e silêncios.
Tudo é perfeito...
o aroma das rosas aguça-me.
No céu, entre astros
realça a estrela d'Alva.
A essência e o profano
transporta o astro-rei.
A obra floresce, a pedra está polida.
Artur Vaz
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
quarta-feira, setembro 29, 2010
Quase num outro país qualquer

Há muito tempo que ele tanto estranha a bondade como a maldade humana.
Foi por isso que escolheu viver num dos bairros mais feios e pobres da cidade.
Ali sabe que não é invejado nem bajulado por ninguém, nem tão pouco olhado de lado. É um indiferente, um quase invisível, como todos os outros habitantes, pretos, brancos, castanhos ou cor de rosa.
Passa a vida a pintar, porque é o que melhor faz e também o que mais o satiasfaz.
Tem compradores certas das suas aguarelas sobre Lisboa, de Alfama à Lapa. Os óleos - sem procura - enchem as paredes e apenas são conhecidos pelos raros amigos. Também pinta interiores de casas, quando os bolsos estão mais vazios e o empresário João Pintor precisa de reforços.
Achou estranho os aviões voarem tão baixo a meio da manhã, foi por isso que veio à janela. Não se assustou, como a senhora que descobriu imóvel no meio do passeio. Além de suar, tinha um ar assustado, como se pensasse que estava a rebentar uma guerra qualquer por aí.
Não achou piada ao medo da mulher idosa, muito menos ao barulho dos jactos, que conseguiram estremecer o cavalete e borrar ligeiramente a aguarela que estava a pintar.
Só à hora do almoço, quando passou pelo café, percebeu a "guerra" que se travava na Capital. Ao olhar de soslaio para a televisão, descobriu que o papa andava por aí, a fazer milagres.
O café estava mais cheio que o costume, para um dia da semana. Foi então que ouviu dizer que era feriado em Lisboa, graças ao tal rei dos católicos, que aparecia no filme com o presidente, mais angelical do que nunca.
Numa outra mesa, mais dada aos futebóis, os vizinhos preferiam o futebol à missa. Colocavam um tal Queirós no assador, enquanto faziam futurologia escura sobre o campeonato do mundo na terra do "Chaka Zulu". Não ganhavam um jogo. Queriam um tal Quim, um João Moutinho, um Martins, um Ruben qualquer coisa, um Makukula e ainda um Scolari na selecção. Rendeu-se ainda mais à sua ignorância, não sabia que havia portugueses com estes dois últimos nomes...
Antes de pagar o café, sorriu de felicidade por raramente ver televisão, ler jornais ou ouvir telefonia. A sua companhia continuava a ser o velho gira-discos e a música psicadélica dos anos sessenta e setenta.
Virou as costas ao filme de 12 de Maio e lá foi, para a sua casita, quase num outro país qualquer...
Luís Milheiro
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(Ilustração: desenho de André Antunes)
terça-feira, setembro 28, 2010

Citadino selvagem decidiu queimar
Todas as suas cartas
Enredadas em eufemismos de si:
Castas articulações de pós piedade que,
Após terem esganado muitos doutos flamingos,
Dá-vos destas
Ofegantes tremuras dentro da distância
Entre bruxas e arcanjos
- oh criaturas de labor descalço
viajando na fantasia mas sempre
com o coveiro às cavalitas -
sejam sabedoria de despropósito literário
nesta batedeira part-time sobre dádivas
- concessionário de comissuras
jamais premeditadas -
verga gaga e gabarolas;
chagas derrapadas à deriva
na parceria da polpa dum
alento morno e aconchegante;
com os lençóis todos descompostos como combinado
pela morbidez de tantos bocados de beijos
imbecilmente inertes
- retalhos de recordações -
no abismo da juventude
outrora viciosa,
outrora moribunda,
outrora dum limão sentimental e repugnante;
como singelo tumor cor de autópsia
- peripécias do desenrasca
a anis, cobalto e crude
quando dois corpos feitos mundo
decidem diluir-se nesta história.
Salmonela Pintassilgo
Todas as suas cartas
Enredadas em eufemismos de si:
Castas articulações de pós piedade que,
Após terem esganado muitos doutos flamingos,
Dá-vos destas
Ofegantes tremuras dentro da distância
Entre bruxas e arcanjos
- oh criaturas de labor descalço
viajando na fantasia mas sempre
com o coveiro às cavalitas -
sejam sabedoria de despropósito literário
nesta batedeira part-time sobre dádivas
- concessionário de comissuras
jamais premeditadas -
verga gaga e gabarolas;
chagas derrapadas à deriva
na parceria da polpa dum
alento morno e aconchegante;
com os lençóis todos descompostos como combinado
pela morbidez de tantos bocados de beijos
imbecilmente inertes
- retalhos de recordações -
no abismo da juventude
outrora viciosa,
outrora moribunda,
outrora dum limão sentimental e repugnante;
como singelo tumor cor de autópsia
- peripécias do desenrasca
a anis, cobalto e crude
quando dois corpos feitos mundo
decidem diluir-se nesta história.
Salmonela Pintassilgo
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(Ilustração de André Antunes)
domingo, setembro 26, 2010
Obsessão

dias perdidos em volta do que não volta
dias perdidos em volta do que se perdeu
porque se devia perder
porque doía e não devia
doía como uma fractura
sem tratamento
sem cuidado
e mesmo assim
esperava-se
e mesmo assim
chorava-se
quando se vai perdendo o rumo
o norte
a vontade
até a maior mentira
parece verdade
Carolina Rodrigues
dias perdidos em volta do que se perdeu
porque se devia perder
porque doía e não devia
doía como uma fractura
sem tratamento
sem cuidado
e mesmo assim
esperava-se
e mesmo assim
chorava-se
quando se vai perdendo o rumo
o norte
a vontade
até a maior mentira
parece verdade
Carolina Rodrigues
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(grafismo de André Antunes)
Até já

De volta à esfera redonda, sento-me no chão
Nunca me dei bem com cadeiras.
São construções de vaidade e ostentação, perturbadores da realidade
Aqui no chão, posso estender-me sem a preocupação de cair
Aqui no chão, olho o céu e água
Aqui no chão, contrario a hereditária ceifeira
Aqui no chão, mastigo cereais sem leite
Aqui no chão, as expectativas são baixas mas a esperança é realmente verde
Aqui no chão, as pedras falam e as formigas folgam
Aqui no chão, a única agressão é provocada pela espera de um eclipse
Aqui no chão, as ideias não têm seguimento e os pensamentos confundem-se com nuvens
Daqui do chão, consigo ver-te e tocar o teu reflexo
Daqui do chão, a tua bandolete é amarela
Daqui do chão, ouço o teu sorriso
Daqui do chão, digo-te até já
É aqui no chão que vou esperar.
Daqui do chão, vou morrendo vivendo
Obrigado, são só devaneios
Não sei escrever, mas já sinto como gente grande
Tiago Espírito Santo
Nunca me dei bem com cadeiras.
São construções de vaidade e ostentação, perturbadores da realidade
Aqui no chão, posso estender-me sem a preocupação de cair
Aqui no chão, olho o céu e água
Aqui no chão, contrario a hereditária ceifeira
Aqui no chão, mastigo cereais sem leite
Aqui no chão, as expectativas são baixas mas a esperança é realmente verde
Aqui no chão, as pedras falam e as formigas folgam
Aqui no chão, a única agressão é provocada pela espera de um eclipse
Aqui no chão, as ideias não têm seguimento e os pensamentos confundem-se com nuvens
Daqui do chão, consigo ver-te e tocar o teu reflexo
Daqui do chão, a tua bandolete é amarela
Daqui do chão, ouço o teu sorriso
Daqui do chão, digo-te até já
É aqui no chão que vou esperar.
Daqui do chão, vou morrendo vivendo
Obrigado, são só devaneios
Não sei escrever, mas já sinto como gente grande
Tiago Espírito Santo
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
O Infinito

Dentro do encanto das palavras
E do vento que rasga o nevoeiro
Encontro as velas dum veleiro
Desfraldadas numa bandeira
Com sonhos e utopias de poetas
E loucos de jaulas desenhadas
Para lá do horizonte entre as nuvens
Escondemos percursos de marés
E descobrimos o infinito do destino
Para onde nos levam as mãos da vida
Os cacos das conchas dos nossos búzios
Os corpos desnudados dos desejos
E a chama que apagamos todos os dias
Somos restos raros de percursos e silêncios
Fomos mortos que não se deixam liquidar
25 maneiras de sermos marionetes
Com tudo o que se cala na magia do fantástico
Só nos resta os náufragos da nossa história
E o vento que não leva o pensamento
E nos deita na memória
E nos corpos nus de todos os encontros
E do vento que rasga o nevoeiro
Encontro as velas dum veleiro
Desfraldadas numa bandeira
Com sonhos e utopias de poetas
E loucos de jaulas desenhadas
Para lá do horizonte entre as nuvens
Escondemos percursos de marés
E descobrimos o infinito do destino
Para onde nos levam as mãos da vida
Os cacos das conchas dos nossos búzios
Os corpos desnudados dos desejos
E a chama que apagamos todos os dias
Somos restos raros de percursos e silêncios
Fomos mortos que não se deixam liquidar
25 maneiras de sermos marionetes
Com tudo o que se cala na magia do fantástico
Só nos resta os náufragos da nossa história
E o vento que não leva o pensamento
E nos deita na memória
E nos corpos nus de todos os encontros
Victor Serra
27/1/2009
Debaixo do Bulcão poezine
Número 38 - Almada, Setembro 2010
(grafismo de André Antunes)
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