quarta-feira, junho 09, 2010


Luís de Camões, serigrafia editada pelo Centro Cultural de Almada, no 4º centenário da morte do poeta, 10 de Junho de 1980. Reprodução do "Retrato feito por Fernando Gomes, o único retrato do poeta que se diz ter sido tirado do natural"

terça-feira, junho 08, 2010

Imaginária Onda


Naufraguei em todos os
abismos da mente

Fui flor de lótus
nos Jardins de Bizâncio

Lágrimas salgadas
de Adamastor

O quinto vórtice
da pirâmide

Arco gótico de
catedral

Imaginária Onda

Cálice de doce
cicuta

Redenção de espírito
antigo

Montanha voadora
cipreste contador da
história
do mundo

Fábula encantada
deusa da luz
mulher de múltiplos seios
harpa de ciclope

Imaginária Onda

Tempestades de amor
feiticeiro da maré
sonho dos ventos
sacerdotiza da lua
guardião do espaço
volúvel forma
de néctar
veneno de Nero
serpente de Medusa
esperança de Pandora
tapete mágico
lâmpada de Aladino
gárgula de Nôtre-Dame


António Boieiro

Debaixo do Bulcão poezine
Número 18 - Almada, Junho 2002

No vídeo (do canal http://www.youtube.com/user/metoscano):o autor declama este poema durante uma sessão mensal de poesia vadia - Almada, 28 de Janeiro de 2008.

Paradigma intercalar



A voz

olha surda,
cala e grita
sangue da vida.
As mãos
são setas,
desertas,
por tocar.
O peito
desatina acelerado,
arritmia constante.
E a estrela
brilha sinais
radiosos por
beijos distantes.
O sabor é intenso,
interminável...


Gabriel 97

Debaixo do Bulcão, poezine

Número 15 - Almada, Junho de 2001

sexta-feira, maio 07, 2010

Colaborações para a próxima edição: enviem até 15 de Maio

Debaixo do Bulcão está a preparar a edição 38, a sair em Junho. Enviem as vossas colaborações: poesia ou prosa, não muito extensos (dada a limitação no número de páginas), bem como desenhos ou ilustrações que possam ser reproduzidas em fotocópia.
DATA LIMITE: 15 DE MAIO.
debaixodobulcao@netcabo.pt

sábado, abril 24, 2010

Tanto mar


Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

Chico Buarque de Hollanda

(poema - canção de 1975, composta a propósito da revolução portuguesa de 25 de Abril de 1974)

sábado, março 27, 2010

Papo de Índio, poema de Chacal lido por Sylvia de Montarroyos

Veiu uns ômi di saia preta
cheiu di caixinha e pó branco
qui eles disserum qui chamava açucri
aí eles falarum e nós fechamu a cara
depois eles arrepitirum e nós fechamu o corpo
aí eles insistirum e nós comemu eles.

Chacal

Sobre o autor e a sua época literária:

http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=519

Poema dito durante os trabalhos do painel "Ao Encontro das Poéticas Contemporâneas", no 1.º Encontro de Poetas do Mundo em Almada.

sexta-feira, março 26, 2010

Um bulcão muito handicraft


A edição 37 do Debaixo do Bulcão poezine está finalmente impressa e pronta a circular.

São 24 páginas, no habitual formato A5 (ou, mais rigorosamente, A4 na horizontal, dobrado ao meio e agrafado), em fotocópia a preto e branco.

Esta edição apresenta-se aos leitores com um visual de fanzine "clássico", muito handicraft. Foi paginada com recurso ao velho método de corte-e-cola.

Contém textos de Affonso Gallo, Alexandre Castanheira, António Vitorino, Baltasar Mingo, BB Pásion, Helga Rodrigues, João Meirinhos, Luís Milheiro, Madalena Barranco, Minda, Mônica Quinderé, Nuno Rocha, Rui Tinoco, Sídnei Olívio, Tere Tavares. Ilustrações de Teresa Câmara Pestana (editora do Gambuzine - http://www.gambuzine.com/) e Helga Rodrigues. Capa e paginação de António Vitorino.

Este número começa a ser distribuído hoje, no 1º Encontro de Poetas do Mundo em Almada (Convento dos Capuchos, Caparica).

Conta com o apoio (impressão) da Câmara Municipal de Almada - e, naturalmente, de todos os que (agora e desde 1996) têm ajudado a levar por diante este projecto.

O editor do Debaixo do Bulcão poezine agradece a todos os que têm - de muitas formas - apoiado o projecto e as edições. Mas, no que diz respeito a este número 37, deseja manifestar o seu agradecimento, em particular, a Adelaide Silva e Margarida Catarino (da organização do encontro de poetas); Teresa Câmara Pestana (pelos desenhos que cedeu para publicação); Jorge Figueira e Nuno Nascimento (que ajudaram a resolver problemas de última hora); e, por último mas não menos importante, ao vereador António Matos, da Câmara Municipal de Almada (pelo apoio da autarquia a esta edição).

domingo, março 21, 2010

A poesia esteve na rua...

21 de Março de 2010. Intervenção na Praça São João Baptista - no âmbito do 1º Encontro de Poetas do Mundo em Almada - par assinalar o Dia Mundial da Poesia. O grupo de "performers" foi surpreendido por uma criança que inisitiu em improvisar os seus próprios poemas! E muito bem o fez - como se pode apreciar neste vídeo!

VINTE E UM DE MARÇO - DIA DA PRIMAVERA, DA ÁRVORE, DA POESIA E SEMPRE DA LIBERDADE


Primavera
Nascer renascer
semear para germinar
sair do negrume da subterrânea terra
alegrar-se de uma folha
de mais folhas
a alindar a superficial terra
e crescer e florir
é a terra a primaverar-se
de esperança
é a seiva a aniquilar
desânimos e cansaços
a aorta da vida a vencer

Já fui frágil
mas cresci e vigorei-me
sou forte de tronco
e ramos
e mesmo quando perco
folhas
aguardo pacientemente
o primaveril fortalecimento
que dos botões minúsculos
brotará
e inundará de certezas
as minhas veias
meu berço de futuro

Poesia
não tem estações
é sempre primavera
prima da luz
vera e indesmentível
imaginação humana
correndo no leito infinito
do ribeiro do tempo
das sementeiras
do revigoramento das árvores
e do futuro,
que é só caule
mas vai ser tronco
que me vai deixar trepar
até ao alto
para de lá ver finalmente
todas as luminosas cores
da liberdade


Alexandre Castanheira

Debaixo do Bulcão poezine
Número 37 - Almada, Março 2010
GALHOS ABERTOS
Enraizei-me sobre a terra
e ofertei folhas e flores
aos quatro braços do vento.
Implorei água
de galhos abertos
e tombei no leito de fogo
de um lago seco.
Arranquei
os pés
da lama
e a chuva
veio
e lavou
uma
alma humana.

Madalena Barranco
http://flordemorango.blogspot.com/
Registro da FBN/EDA

(a propósito do Dia Mundial da Árvore e da Floresta, 21 de março)

Encontro de poetas lusófonos em Almada

Um momento do primeiro dia. 20 de Março de 2010, Convento dos Capuchos.

sexta-feira, março 19, 2010

1.º Encontro de Poetas do Mundo em Almada - 20 a 27 de Março


A primeira edição de Poema - Encontro de Poetas do Mundo em Almada decorre a partir de amanhã e durante dois fins de semana, no Convento dos Capuchos. Debaixo do Bulcão criou um blogue, não-oficial, para divulgar o evento e acompanhar os trabalhos. Nesse espaço irão encontrar informação actualizada e reportagem dos locais onde se desenvolvem as actividades do encontro.



As tuas palavras
revelam a verdade
que não quis admitir.
A tua verdade.
Deixa-me dizer-te
a minha...
Será. Não te amei na
vez de ninguém.
És a fotografia
calma e inspirante
de uma fuga sentida.
Não te usei.
Amei-te sim à luz daquela
fogueira, nos risos trocados.
No cansaço das
noites sem dormir.
Amo-te agora
não procurei o teu
corpo. Procurei a
tua alma.
E a minha estendeu-se
para ti.
Achas que fingi?



Raquel

Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Março 1997

(grafismo de Luísa Trindade)


Quero fugir
Mas as minhas pernas
Não deixam...
Quero gritar
Mas a minha voz morreu...
Sinto-me leve como a pena
Que em tempos segurei na mão
E pesada comop o chumbo
De correntes imaginárias
Que me aprisionam!
Este mundo não é meu
E ele sabe disso...


Ana Silva

Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Almada, Março de 1997


O relógio situado
dobrando o papel
escrevinho palavras sem nexo
em sentido angular
óptica inerente ousado nú
despida da casca
gema dos rúbis amanheceres

na cama
depois do Éden
redescoberto
humanizada estratosfera
nesse cume, meu everest

antes do supra-sensível
transcendente universo
ostras e pérolas
últimos vermes
dos oceanos terrestres
flui tua sensação
nestas tão prisões
muralhas espirituais.


João Paulo

Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Almada, Março de 1997