sexta-feira, maio 07, 2010
Colaborações para a próxima edição: enviem até 15 de Maio
sábado, abril 24, 2010
Tanto mar
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
Chico Buarque de Hollanda
(poema - canção de 1975, composta a propósito da revolução portuguesa de 25 de Abril de 1974)
sábado, março 27, 2010
Papo de Índio, poema de Chacal lido por Sylvia de Montarroyos
Veiu uns ômi di saia preta
cheiu di caixinha e pó branco
qui eles disserum qui chamava açucri
aí eles falarum e nós fechamu a cara
depois eles arrepitirum e nós fechamu o corpo
aí eles insistirum e nós comemu eles.
Chacal
Sobre o autor e a sua época literária:
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=519
Poema dito durante os trabalhos do painel "Ao Encontro das Poéticas Contemporâneas", no 1.º Encontro de Poetas do Mundo em Almada.
sexta-feira, março 26, 2010
Um bulcão muito handicraft

São 24 páginas, no habitual formato A5 (ou, mais rigorosamente, A4 na horizontal, dobrado ao meio e agrafado), em fotocópia a preto e branco.
Esta edição apresenta-se aos leitores com um visual de fanzine "clássico", muito handicraft. Foi paginada com recurso ao velho método de corte-e-cola.
Contém textos de Affonso Gallo, Alexandre Castanheira, António Vitorino, Baltasar Mingo, BB Pásion, Helga Rodrigues, João Meirinhos, Luís Milheiro, Madalena Barranco, Minda, Mônica Quinderé, Nuno Rocha, Rui Tinoco, Sídnei Olívio, Tere Tavares. Ilustrações de Teresa Câmara Pestana (editora do Gambuzine - http://www.gambuzine.com/) e Helga Rodrigues. Capa e paginação de António Vitorino.
Este número começa a ser distribuído hoje, no 1º Encontro de Poetas do Mundo em Almada (Convento dos Capuchos, Caparica).
Conta com o apoio (impressão) da Câmara Municipal de Almada - e, naturalmente, de todos os que (agora e desde 1996) têm ajudado a levar por diante este projecto.
O editor do Debaixo do Bulcão poezine agradece a todos os que têm - de muitas formas - apoiado o projecto e as edições. Mas, no que diz respeito a este número 37, deseja manifestar o seu agradecimento, em particular, a Adelaide Silva e Margarida Catarino (da organização do encontro de poetas); Teresa Câmara Pestana (pelos desenhos que cedeu para publicação); Jorge Figueira e Nuno Nascimento (que ajudaram a resolver problemas de última hora); e, por último mas não menos importante, ao vereador António Matos, da Câmara Municipal de Almada (pelo apoio da autarquia a esta edição).
domingo, março 21, 2010
A poesia esteve na rua...
21 de Março de 2010. Intervenção na Praça São João Baptista - no âmbito do 1º Encontro de Poetas do Mundo em Almada - par assinalar o Dia Mundial da Poesia. O grupo de "performers" foi surpreendido por uma criança que inisitiu em improvisar os seus próprios poemas! E muito bem o fez - como se pode apreciar neste vídeo!
VINTE E UM DE MARÇO - DIA DA PRIMAVERA, DA ÁRVORE, DA POESIA E SEMPRE DA LIBERDADE

Nascer renascer
semear para germinar
sair do negrume da subterrânea terra
alegrar-se de uma folha
de mais folhas
a alindar a superficial terra
e crescer e florir
é a terra a primaverar-se
de esperança
é a seiva a aniquilar
desânimos e cansaços
a aorta da vida a vencer
Já fui frágil
mas cresci e vigorei-me
sou forte de tronco
e ramos
e mesmo quando perco
folhas
aguardo pacientemente
o primaveril fortalecimento
que dos botões minúsculos
brotará
e inundará de certezas
as minhas veias
meu berço de futuro
Poesia
não tem estações
é sempre primavera
prima da luz
vera e indesmentível
imaginação humana
correndo no leito infinito
do ribeiro do tempo
das sementeiras
do revigoramento das árvores
e do futuro,
que é só caule
mas vai ser tronco
que me vai deixar trepar
até ao alto
para de lá ver finalmente
todas as luminosas cores
da liberdade
Alexandre Castanheira
Enraizei-me sobre a terra
e ofertei folhas e flores
aos quatro braços do vento.
Implorei água
de galhos abertos
e tombei no leito de fogo
de um lago seco.
Arranquei
os pés
da lama
e a chuva
veio
e lavou
uma
alma humana.
Madalena Barranco
http://flordemorango.blogspot.com/
Registro da FBN/EDA
(a propósito do Dia Mundial da Árvore e da Floresta, 21 de março)
Encontro de poetas lusófonos em Almada
sexta-feira, março 19, 2010
1.º Encontro de Poetas do Mundo em Almada - 20 a 27 de Março


revelam a verdade
que não quis admitir.
A tua verdade.
Deixa-me dizer-te
a minha...
Será. Não te amei na
vez de ninguém.
És a fotografia
calma e inspirante
de uma fuga sentida.
Não te usei.
Amei-te sim à luz daquela
fogueira, nos risos trocados.
No cansaço das
noites sem dormir.
Amo-te agora
não procurei o teu
corpo. Procurei a
tua alma.
E a minha estendeu-se
para ti.
Achas que fingi?
Raquel
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Março 1997

Quero fugir
Mas as minhas pernas
Não deixam...
Quero gritar
Mas a minha voz morreu...
Sinto-me leve como a pena
Que em tempos segurei na mão
E pesada comop o chumbo
De correntes imaginárias
Que me aprisionam!
Este mundo não é meu
E ele sabe disso...
Ana Silva
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Almada, Março de 1997

O relógio situado
dobrando o papel
escrevinho palavras sem nexo
em sentido angular
óptica inerente ousado nú
despida da casca
gema dos rúbis amanheceres
na cama
depois do Éden
redescoberto
humanizada estratosfera
nesse cume, meu everest
antes do supra-sensível
transcendente universo
ostras e pérolas
últimos vermes
dos oceanos terrestres
flui tua sensação
nestas tão prisões
muralhas espirituais.
João Paulo
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Almada, Março de 1997
segunda-feira, março 15, 2010
Fiel amigo (ou a história de um cão chamado bacalhau)

Aos sete troquei a minha irmã por uma pistola
Aos nove a minha avó por um saco de pevides
Aos treze o meu tio pela primeira falta à escola
Aos catorze a minha tia pelo meu primeiro beijo
Aos quinze o meu pai pela primeira bebedeira
Aos dezasseis o meu melhor amigo por um desejo
Aos vinte o meu único amor por uma brincadeira.
Fiquei cheio de coisas, que de muito me serviram!
Claro que sem pai, sem mãe e sem tia
Foi por isso que não troquei o meu cão
(precisava de alguém que me fizesse companhia)
João Couvaneiro
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Almada, Março de 1997
(grafismo de Luísa Trindade)
sábado, março 13, 2010

amor meu, se morres e não morro,
não demos à dor mais território:
não há extensão como a que vivemos.
Pó no trigo, areia nas areias,
o tempo, a água errante, o vento vago
nos transportou como grão navegante.
Podemos não nos encontrar no tempo.
Esta campina em que nos achamos,
oh pequeno infinito! devolvemos.
Mas este amor, amor, não terminou,
e assim como não teve nascimento
morte não tem, é como um longo rio,
só muda de terras e de lábios.
Pablo Neruda
XCII, de "Cem Sonetos de Amor"
(tradução de Carlos Nejar,
edição L&PM Editores S/A
Porto Alegre, 2001)
