21 de Março de 2010. Intervenção na Praça São João Baptista - no âmbito do 1º Encontro de Poetas do Mundo em Almada - par assinalar o Dia Mundial da Poesia. O grupo de "performers" foi surpreendido por uma criança que inisitiu em improvisar os seus próprios poemas! E muito bem o fez - como se pode apreciar neste vídeo!
domingo, março 21, 2010
VINTE E UM DE MARÇO - DIA DA PRIMAVERA, DA ÁRVORE, DA POESIA E SEMPRE DA LIBERDADE

Primavera
Nascer renascer
semear para germinar
sair do negrume da subterrânea terra
alegrar-se de uma folha
de mais folhas
a alindar a superficial terra
e crescer e florir
é a terra a primaverar-se
de esperança
é a seiva a aniquilar
desânimos e cansaços
a aorta da vida a vencer
Já fui frágil
mas cresci e vigorei-me
sou forte de tronco
e ramos
e mesmo quando perco
folhas
aguardo pacientemente
o primaveril fortalecimento
que dos botões minúsculos
brotará
e inundará de certezas
as minhas veias
meu berço de futuro
Poesia
não tem estações
é sempre primavera
prima da luz
vera e indesmentível
imaginação humana
correndo no leito infinito
do ribeiro do tempo
das sementeiras
do revigoramento das árvores
e do futuro,
que é só caule
mas vai ser tronco
que me vai deixar trepar
até ao alto
para de lá ver finalmente
todas as luminosas cores
da liberdade
Alexandre Castanheira
Nascer renascer
semear para germinar
sair do negrume da subterrânea terra
alegrar-se de uma folha
de mais folhas
a alindar a superficial terra
e crescer e florir
é a terra a primaverar-se
de esperança
é a seiva a aniquilar
desânimos e cansaços
a aorta da vida a vencer
Já fui frágil
mas cresci e vigorei-me
sou forte de tronco
e ramos
e mesmo quando perco
folhas
aguardo pacientemente
o primaveril fortalecimento
que dos botões minúsculos
brotará
e inundará de certezas
as minhas veias
meu berço de futuro
Poesia
não tem estações
é sempre primavera
prima da luz
vera e indesmentível
imaginação humana
correndo no leito infinito
do ribeiro do tempo
das sementeiras
do revigoramento das árvores
e do futuro,
que é só caule
mas vai ser tronco
que me vai deixar trepar
até ao alto
para de lá ver finalmente
todas as luminosas cores
da liberdade
Alexandre Castanheira
Debaixo do Bulcão poezine
Número 37 - Almada, Março 2010
GALHOS ABERTOS
Enraizei-me sobre a terra
e ofertei folhas e flores
aos quatro braços do vento.
Implorei água
de galhos abertos
e tombei no leito de fogo
de um lago seco.
Arranquei
os pés
da lama
e a chuva
veio
e lavou
uma
alma humana.
Madalena Barranco
http://flordemorango.blogspot.com/
Registro da FBN/EDA
(a propósito do Dia Mundial da Árvore e da Floresta, 21 de março)
Enraizei-me sobre a terra
e ofertei folhas e flores
aos quatro braços do vento.
Implorei água
de galhos abertos
e tombei no leito de fogo
de um lago seco.
Arranquei
os pés
da lama
e a chuva
veio
e lavou
uma
alma humana.
Madalena Barranco
http://flordemorango.blogspot.com/
Registro da FBN/EDA
(a propósito do Dia Mundial da Árvore e da Floresta, 21 de março)
Encontro de poetas lusófonos em Almada
Um momento do primeiro dia. 20 de Março de 2010, Convento dos Capuchos.
sexta-feira, março 19, 2010
1.º Encontro de Poetas do Mundo em Almada - 20 a 27 de Março

A primeira edição de Poema - Encontro de Poetas do Mundo em Almada decorre a partir de amanhã e durante dois fins de semana, no Convento dos Capuchos. Debaixo do Bulcão criou um blogue, não-oficial, para divulgar o evento e acompanhar os trabalhos. Nesse espaço irão encontrar informação actualizada e reportagem dos locais onde se desenvolvem as actividades do encontro.

As tuas palavras
revelam a verdade
que não quis admitir.
A tua verdade.
Deixa-me dizer-te
a minha...
Será. Não te amei na
vez de ninguém.
És a fotografia
calma e inspirante
de uma fuga sentida.
Não te usei.
Amei-te sim à luz daquela
fogueira, nos risos trocados.
No cansaço das
noites sem dormir.
Amo-te agora
não procurei o teu
corpo. Procurei a
tua alma.
E a minha estendeu-se
para ti.
Achas que fingi?
Raquel
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Março 1997
revelam a verdade
que não quis admitir.
A tua verdade.
Deixa-me dizer-te
a minha...
Será. Não te amei na
vez de ninguém.
És a fotografia
calma e inspirante
de uma fuga sentida.
Não te usei.
Amei-te sim à luz daquela
fogueira, nos risos trocados.
No cansaço das
noites sem dormir.
Amo-te agora
não procurei o teu
corpo. Procurei a
tua alma.
E a minha estendeu-se
para ti.
Achas que fingi?
Raquel
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Março 1997
(grafismo de Luísa Trindade)

Quero fugir
Mas as minhas pernas
Não deixam...
Quero gritar
Mas a minha voz morreu...
Sinto-me leve como a pena
Que em tempos segurei na mão
E pesada comop o chumbo
De correntes imaginárias
Que me aprisionam!
Este mundo não é meu
E ele sabe disso...
Ana Silva
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Almada, Março de 1997

O relógio situado
dobrando o papel
escrevinho palavras sem nexo
em sentido angular
óptica inerente ousado nú
despida da casca
gema dos rúbis amanheceres
na cama
depois do Éden
redescoberto
humanizada estratosfera
nesse cume, meu everest
antes do supra-sensível
transcendente universo
ostras e pérolas
últimos vermes
dos oceanos terrestres
flui tua sensação
nestas tão prisões
muralhas espirituais.
João Paulo
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Almada, Março de 1997
segunda-feira, março 15, 2010
Fiel amigo (ou a história de um cão chamado bacalhau)

Aos quatro anos troquei o meu avô por berlindes
Aos sete troquei a minha irmã por uma pistola
Aos nove a minha avó por um saco de pevides
Aos treze o meu tio pela primeira falta à escola
Aos catorze a minha tia pelo meu primeiro beijo
Aos quinze o meu pai pela primeira bebedeira
Aos dezasseis o meu melhor amigo por um desejo
Aos vinte o meu único amor por uma brincadeira.
Fiquei cheio de coisas, que de muito me serviram!
Claro que sem pai, sem mãe e sem tia
Foi por isso que não troquei o meu cão
(precisava de alguém que me fizesse companhia)
João Couvaneiro
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Almada, Março de 1997
(grafismo de Luísa Trindade)
Aos sete troquei a minha irmã por uma pistola
Aos nove a minha avó por um saco de pevides
Aos treze o meu tio pela primeira falta à escola
Aos catorze a minha tia pelo meu primeiro beijo
Aos quinze o meu pai pela primeira bebedeira
Aos dezasseis o meu melhor amigo por um desejo
Aos vinte o meu único amor por uma brincadeira.
Fiquei cheio de coisas, que de muito me serviram!
Claro que sem pai, sem mãe e sem tia
Foi por isso que não troquei o meu cão
(precisava de alguém que me fizesse companhia)
João Couvaneiro
Debaixo do Bulcão poezine
Número 2 - Almada, Março de 1997
(grafismo de Luísa Trindade)
sábado, março 13, 2010

Amor meu, se morro e tu não morres,
amor meu, se morres e não morro,
não demos à dor mais território:
não há extensão como a que vivemos.
Pó no trigo, areia nas areias,
o tempo, a água errante, o vento vago
nos transportou como grão navegante.
Podemos não nos encontrar no tempo.
Esta campina em que nos achamos,
oh pequeno infinito! devolvemos.
Mas este amor, amor, não terminou,
e assim como não teve nascimento
morte não tem, é como um longo rio,
só muda de terras e de lábios.
Pablo Neruda
XCII, de "Cem Sonetos de Amor"
(tradução de Carlos Nejar,
edição L&PM Editores S/A
Porto Alegre, 2001)
amor meu, se morres e não morro,
não demos à dor mais território:
não há extensão como a que vivemos.
Pó no trigo, areia nas areias,
o tempo, a água errante, o vento vago
nos transportou como grão navegante.
Podemos não nos encontrar no tempo.
Esta campina em que nos achamos,
oh pequeno infinito! devolvemos.
Mas este amor, amor, não terminou,
e assim como não teve nascimento
morte não tem, é como um longo rio,
só muda de terras e de lábios.
Pablo Neruda
XCII, de "Cem Sonetos de Amor"
(tradução de Carlos Nejar,
edição L&PM Editores S/A
Porto Alegre, 2001)
terça-feira, março 09, 2010
segunda-feira, março 08, 2010
Maria Campaniça

Debaixo do lenço azul com sua barra amarela
os lindos olhos que tem!
Mas o rosto macerado
de andar na ceifa e na monda
desde manhã ao sol-posto,
mas o jeito
de mãos torcendo o xaile nos dedos
é de mágoa e abandono...
Ai Maria Campaniça,
levanta os olhos do chão
que eu quero ver nascer o sol!
Manuel da Fonseca
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Lopes_Fonseca
ilustração: Ceifeira,
de Manuel Ribeiro de Pavia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Ribeiro_de_Pavia
quarta-feira, março 03, 2010

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.
Pablo Neruda
(do "Poema 20" de "Veinte poemas de amor y una canción desesperada")
poema encontrado em
http://www.todas.com.br/pabloneruda.htm
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.
Pablo Neruda
(do "Poema 20" de "Veinte poemas de amor y una canción desesperada")
poema encontrado em
http://www.todas.com.br/pabloneruda.htm
domingo, fevereiro 28, 2010
Tributo a Almada, de Alexandre Castanheira

(...)
Quando Almada adormece
e a Torre da casa-mãe do Município
se desprende da turbulenta luz do dia
que ali encaminhara cidadãos
em busca dos pareceres necessários
de quem governa a cidade
A magia associativa coloca imaginárias velas
(Incríveis!)
sobre as velhas e roídas pedras das ruas de antanho
Servem para iluminar culturalmente
sociedades
academias
clubes
procurados vai já para dois séculos
por homens e mulheres que recusam ficar à parte do progresso
e decidiram não viver só às ordens de leis
decretos
e despachos
que não fizeram nem pediram
Eles querem conhecer saberes
e saber aplicá-los
a melhorar a vida de todos os dias
a desenvolver o espírito - dizem uns
a alma - dirão outros
para poderem abandonar conscientemente
os atalhos oferecidos sem saída
e caminhar firmemente pelas vias da liberdade
(...)
Alexandre Castanheira
em
Tributo a Almada (Assim aprendi a olhar Almada)
Edição Poetas Almadenses - caderno n.ª 78 da colecção Índex Poesis
(capa: grafismo de Jorge Figueira;
Quando Almada adormece
e a Torre da casa-mãe do Município
se desprende da turbulenta luz do dia
que ali encaminhara cidadãos
em busca dos pareceres necessários
de quem governa a cidade
A magia associativa coloca imaginárias velas
(Incríveis!)
sobre as velhas e roídas pedras das ruas de antanho
Servem para iluminar culturalmente
sociedades
academias
clubes
procurados vai já para dois séculos
por homens e mulheres que recusam ficar à parte do progresso
e decidiram não viver só às ordens de leis
decretos
e despachos
que não fizeram nem pediram
Eles querem conhecer saberes
e saber aplicá-los
a melhorar a vida de todos os dias
a desenvolver o espírito - dizem uns
a alma - dirão outros
para poderem abandonar conscientemente
os atalhos oferecidos sem saída
e caminhar firmemente pelas vias da liberdade
(...)
Alexandre Castanheira
em
Tributo a Almada (Assim aprendi a olhar Almada)
Edição Poetas Almadenses - caderno n.ª 78 da colecção Índex Poesis
(capa: grafismo de Jorge Figueira;
imagem de Albino Moura,
"Almada ontem e hoje", óleo sobre tela)
Alexandre Castanheira lê poesia do seu mais recente livro, "Tributo a Almada"
Lançamento realizado dia 27 de Fevereiro de 2010, no Le Bistro Café, em Almada, antecedendo mais uma sessão mensal de "poesia vadia".
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