segunda-feira, agosto 03, 2009

Eles

Ah, esses seres masculinos,
Com audácia permitida,
Percorrem os caminhos femininos,
Sem culpa alguma sentida.

Esses seres indomáveis,
Que ostentam certa dureza,
Que os tornam assim tão frágeis,
Numa insustentável leveza.

Ah, esses seres temerosos,
De cometer certos deslizes,
Nem sempre tão amorosos,
Se esquecem de ser felizes.

Esses seres infalíveis,
Na arte de induzir,
Na hora são incríveis,
Com a manha de seduzir.

Ah, esses seres tão carentes,
Que receiam ser submissos,
Insuportáveis, agem diferentes,
Fogem de compromissos.

Pobres seres masculinos,
Os que não enxergam a verdade,
São os seres femininos,
Que desvendam a masculinidade.

Por fim, há o ser feminino,
Na eterna missão incessante,
À ciência de um bom amante!


Mônica Quinderé

Elas




Ah... Esses seres femininos
De simultâneas sensações
Enlouquecem os seres masculinos
Que se perdem nas ações

Guiados por mãos divinas
Trazem a virtude de se doar
Aprendem ainda meninas
Que outro ser, pode gerar.

Esses seres maravilhosos
Por imenso amor, dão à luz
Na hora do parto são corajosos
Clamam sempre por Jesus

Esse ser tão sublime
Que desde o ventre, já ampara
Para toda existência, exprime
Devoção ao ser que criara

Esses seres tão sensíveis
Aparentemente dominados
Alguns inesquecíveis
São sempre os mais amados

Esses seres apaixonantes
Sutil mistério restringe
Aos seres masculinos amantes
Como enigma de esfinge

Esses seres sedutores
De beleza inefável
Sinuosos condutores
De gesto inconfessável

Pobres seres masculinos
Que sempre almejam liberdade
Não são os seres femininos
Que os prendem na verdade

São os lados que se unem
Formando seres em unidade
Na simetria que se fundem
Buscando a felicidade!



Mônica Quinderé



Debaixo do Bulcão poezine
Numero 36 - Almada, Julho 2009

sexta-feira, julho 31, 2009

ilustração de
Cirq (Lukas Liederer)
cedido por Gambuzine

A vida é um filme




A vida é como um filme
numa tela gigante.
Tu és a directora
que dirige todas as cenas.


Tu escreveste o guião
e também o representas.
No papel principal
a estrela do teu filme
és apenas tu.

A vida é como um filme
um sonho sem cores
e através dos teus olhos
a câmara projecta
cena a cena.

No teu guião
és a estrela que domina
os dias.
Algumas vezes perdes
outras
tentas reencontrar
o teu caminho.

Segue a tua estrela
na gigantesca tela
da tua mente.


Maneta Alhinho

Debaixo do Bulcão poezine
Número 36 - Almada, Julho 2009

Diamante Lapidado



Escrevo, porque não consigo ver-te,
a proliferação da inércia,
não me permite confabular.

És um diamante lapidado,
és um ser precioso que encanta
e é encantado,
revelas no oculto a subtileza altiva,
deixas-me permanecer na ilusão.

Diamante provoca a perdição,
porém ofuscas-me com artes enigmáticas
deixando-me com esta angústia excruciante,
em virtude de não te ter.

És um diamante cobiçado,
uma jóia não rara, mas eterna.
Jóia ingénua que obliquamente
me faz permanecer na quimera
do tormento silente.

Diamante, pedra tão bela...
confere-nos o poder absoluto instantâneo,
faz-nos fantasiar com um mundo
para além do paraíso celeste,
permite-nos viver perfidamente
no sonho da realidade em simultâneo.

O seu brilho abraça-nos infatigavelmente,
deixando-nos inexoravelmente extasiados,
com a sua dominação sedutora.


Nelson “Ngungu” Rossano – Poeta afro-português


Debaixo do Bulcão poezine
Número 36 - Almada, Julho 2009

Os novos ditadores


A tua boca amordaçada…
tanta gente entre muros torturada
lamentos, murmúrios…

Os meus olhos vendados…
tanta gente nas prisões
fome, miséria…

Os nossos sonhos desfeitos,
rios de lágrimas correndo
vidas esvaziadas
e nós aqui morrendo…

E eis que com Abril de 74 nasce,
uma outra possibilidade
de o futuro encarar
em democracia e liberdade…

Mas decorridos 35 anos
a tristeza nos volta a ensombrar
a hipocrisia parece tudo vencer
a demagogia nos quer enganar
a esperança se vai perdendo…

Mascarados de democratas
os novos ditadores aí estão
de sorriso nos lábios
exploram os trabalhadores,
favorecem os amigos
roubam à descarada
e impunes enriquecem
à custa do esforço alheio
e no poder se mantêm
enquanto não houver coragem
de esta situação mudar.

Por isso temos de gritar
que já basta de injustiças
que o passado de volta não queremos
e pela Liberdade havemos
de continuar sempre a lutar.


Minda

Debaixo do Bulcão poezine
Número 36 - Almada, Julho 2009

terça-feira, julho 28, 2009


desenho de Teresa Câmara Pestana
em
Debaixo do Bulcão poezine
Número 36 - Almada, Julho 2009

Ainda bem que chove em julho




ainda bem que chove em julho
pode ser que assim não chova em agosto
que é quando eu tenho as minhas férias marcadas
diz o pobre citadino
que não percebe nada de meteorologia popular.
se estivesse lá na terra perguntando ao tio júlio augusto
este dir-lhe-ia talvez que o tempo já não é o que era
mas que de qualquer forma deus é quem manda na máquina do mundo
e talvez deus tenha enlouquecido
ou então fomos talvez nós que com as nossas malasartes
enlouquecemos ou envenenámos a alma
da terra.


António Vitorino


Debaixo do Bulcão poezine
Número 36 - Almada, Julho 2009

segunda-feira, junho 01, 2009

Debaixo do Bulcão 36, em breve!

Ainda este mês sai mais uma edição do poezine.
Com textos de: Affonso Gallo, António Vitorino, Eloísa Menezes Ferreira, João Rato, Luís Milheiro, Madalena Barranco, Maneta Alhinho, Miguel Nuno, Nelson "Ngungu" Rossano, Pedro Alves Fernandes, Sidnei Olívio, Tere Tavares. Paginação do regressado Sturrefsit Adjukaatrix (autor de alguns grafismos das primeiras ediçõeds do bulcão).

segunda-feira, maio 18, 2009

Debaixo do Bulcão 36 - Textos até 31 de Maio!


O próximo Debaixo do Bulcão (poezine, edição em papel) sai em Junho. Enviem os vossos textos (poesia ou prosa, tema livre)
até 31 de Maio para
debaixodobulcao@netcabo.pt

quarta-feira, maio 13, 2009

Se eu fosse um livro


Se eu fosse um livro gostava de viajar por todo o mundo, conhecer todas as cidades, todos os monumentos, todas as tradições. Gostava que todas as pessoas me lessem e encontrassem em mim toda a informação que procuram. Queria ser um livro de capa bem rija castanha daqueles que fazem lembrar os livros mágicos e tão respeitados por causa das suas lendas e profecias. Quando as pessoas o abriam eram transportadas para um mundo mágico.

Quando em mim as pessoas fossem procurar informação gostaria de fazer os possíveis para as cativar para a leitura de maneira a que nunca mais deixassem de me consultar.


Joana Bem Pires


Prémio Literário Sesimbra Jovem
"A força das Palavras", 2008
Menção Honrosa (prosa) escalão B

quarta-feira, maio 06, 2009

A Estrela




Era uma vez
Uma estrela
Bem lá no céu,
Tão longe,
Tão longe,
Que só se via
O seu véu.

O seu véu,
Era tão branco
Como a neve,
E tinha um cheiro
Tão suave, como
A de uma rosa
Que se abre na
Primavera.

Os seus adornos
Eram brilhantes,
Como o monte
De pirilampos
Quando se juntam
Para dançar e
Cantar ao luar.



Ana Raquel Fernandes
DuarteAlexandro Andrade dos Santos
Vera Lúcia da Silva Carvalho

A Força das Palavras - Prémio Literário Sesimbra Jovem,
edição 2008
Menção Honrosa (poesia), escalão B

terça-feira, abril 28, 2009

Pergunta infantil



será verdade que qualquer casinha de chocolate
esconde sempre uma bruxa má?

será que existem bruxas boas
que não se escondem dentro de casinhas
de chocolate?


António Vitorino
(Setúbal, Novembro 1998.)

Debaixo do Bulcão poezine
Número 14 - Almada/Setúbal, Março 2001

A bruxa de chocolate


Era uma vez uma casinha de chocolate no meio do bosque, nessa casa vivia uma bruxa castanha, que adorava o disparate. Punha os copos no fogão, as panelas na banheira, os sapatos nas gavetas, as meias na frigideira e escrevia com fios de água; dormia sempre em pé, cozinhava na cama e comia no bidé.
Um dia ela foi à cidade visitar uma amiga e pedir-lhe cacau. Encontrou um porco e o porco disse que se ela fosse pelo caminho da esquerda encontrava um lobo, e se fosse pelo caminho da direita encontrava um gnomo. Mas como ela adorava o disparate foi pelo caminho da esquerda, só que o lobo era bom, o lobo disse à bruxa que estava a chegar o autocarro para a cidade de Lisboa, mas ela queria ir para Sesimbra, visitar a sua amiga Gertrudes Fonseca. Depois foi a pé atá à casa da amiga. Então quando ela chegou abriu a porta de casa, e não estava lá ninguém. Ela pensou um pouco, então foi à escola, onde a sua amiga trabalhava. A bruxa pediu uma informação ao Sr. João, que trabalhava na Escola Básica 2/3 Prof. Inventão Soromenho e disseram que ela estava a dar aulas ao 5ºZ na sala 0, só que não podia entrar. Depois no intervalo pediu-lhe um saco de cacau e fez um chocolate muito grande. Depois pôs o seu grande chocolate num canhão, disparou o chocolate e Sesimbra ficou cheia de Chocolate! E todas as pessoas ficaram felizes graças à bruxa do chocolate que adorava o DISPARATE!


Gabriel da Silva
Raquel M. Branco

Texto concorrente ao
Menção Honrosa (prosa) escalão B

sábado, abril 25, 2009


(Cartaz comemorativo do 5º aniversário da Revolução dos Cravos.
Edição da Comissão Organizadora das Comemorações do 25 de Abril, Dia da Liberdade - 1979)