Ainda este mês sai mais uma edição do poezine.
Com textos de: Affonso Gallo, António Vitorino, Eloísa Menezes Ferreira, João Rato, Luís Milheiro, Madalena Barranco, Maneta Alhinho, Miguel Nuno, Nelson "Ngungu" Rossano, Pedro Alves Fernandes, Sidnei Olívio, Tere Tavares. Paginação do regressado Sturrefsit Adjukaatrix (autor de alguns grafismos das primeiras ediçõeds do bulcão).
segunda-feira, junho 01, 2009
segunda-feira, maio 18, 2009
Debaixo do Bulcão 36 - Textos até 31 de Maio!

O próximo Debaixo do Bulcão (poezine, edição em papel) sai em Junho. Enviem os vossos textos (poesia ou prosa, tema livre)
até 31 de Maio para
debaixodobulcao@netcabo.pt
debaixodobulcao@netcabo.pt
quarta-feira, maio 13, 2009
Se eu fosse um livro

Se eu fosse um livro gostava de viajar por todo o mundo, conhecer todas as cidades, todos os monumentos, todas as tradições. Gostava que todas as pessoas me lessem e encontrassem em mim toda a informação que procuram. Queria ser um livro de capa bem rija castanha daqueles que fazem lembrar os livros mágicos e tão respeitados por causa das suas lendas e profecias. Quando as pessoas o abriam eram transportadas para um mundo mágico.
Quando em mim as pessoas fossem procurar informação gostaria de fazer os possíveis para as cativar para a leitura de maneira a que nunca mais deixassem de me consultar.
Joana Bem Pires
Prémio Literário Sesimbra Jovem
"A força das Palavras", 2008
Menção Honrosa (prosa) escalão B
quarta-feira, maio 06, 2009
A Estrela

Era uma vez
Uma estrela
Bem lá no céu,
Tão longe,
Tão longe,
Que só se via
O seu véu.
O seu véu,
Era tão branco
Como a neve,
E tinha um cheiro
Tão suave, como
A de uma rosa
Que se abre na
Primavera.
Os seus adornos
Eram brilhantes,
Como o monte
De pirilampos
Quando se juntam
Para dançar e
Cantar ao luar.
Ana Raquel Fernandes
DuarteAlexandro Andrade dos Santos
Vera Lúcia da Silva Carvalho
A Força das Palavras - Prémio Literário Sesimbra Jovem,
edição 2008
Menção Honrosa (poesia), escalão B
terça-feira, abril 28, 2009
Pergunta infantil
A bruxa de chocolate

Era uma vez uma casinha de chocolate no meio do bosque, nessa casa vivia uma bruxa castanha, que adorava o disparate. Punha os copos no fogão, as panelas na banheira, os sapatos nas gavetas, as meias na frigideira e escrevia com fios de água; dormia sempre em pé, cozinhava na cama e comia no bidé.
Um dia ela foi à cidade visitar uma amiga e pedir-lhe cacau. Encontrou um porco e o porco disse que se ela fosse pelo caminho da esquerda encontrava um lobo, e se fosse pelo caminho da direita encontrava um gnomo. Mas como ela adorava o disparate foi pelo caminho da esquerda, só que o lobo era bom, o lobo disse à bruxa que estava a chegar o autocarro para a cidade de Lisboa, mas ela queria ir para Sesimbra, visitar a sua amiga Gertrudes Fonseca. Depois foi a pé atá à casa da amiga. Então quando ela chegou abriu a porta de casa, e não estava lá ninguém. Ela pensou um pouco, então foi à escola, onde a sua amiga trabalhava. A bruxa pediu uma informação ao Sr. João, que trabalhava na Escola Básica 2/3 Prof. Inventão Soromenho e disseram que ela estava a dar aulas ao 5ºZ na sala 0, só que não podia entrar. Depois no intervalo pediu-lhe um saco de cacau e fez um chocolate muito grande. Depois pôs o seu grande chocolate num canhão, disparou o chocolate e Sesimbra ficou cheia de Chocolate! E todas as pessoas ficaram felizes graças à bruxa do chocolate que adorava o DISPARATE!
Gabriel da Silva
Raquel M. Branco
Texto concorrente ao
Menção Honrosa (prosa) escalão B
sábado, abril 25, 2009
sexta-feira, abril 24, 2009
Os malefícios da propriedade privada

Inda ontem estava ali uma tabuleta
Que dizia "poribido tirar água".
Agora já não está,
Porque esta manhã o compadre Manel
Deu com ela na cabeça do compadre Armindo
E mandou-o para o jardim das tabuletas.
Mas também a culpa não foi do compadre Manel.
A culpa foi do compadre Armindo
Que já lá está.
Ora, quem mandou o compadre Armindo
Ateimar que o poço era dele
Quando toda a gente sabe
Que o poço é do compadre Manel?
E ainda se aquela água
Fosse boa para beber...
Assim, lá foi o compadre Armindo
Levar uma cachaporrada nos cornos
E isto - está vossemecê vendo,
Compadre Amâncio?-
Isto quando não havia necessidade nenhuma!...
Miki Sorraia
Debaixo do Bulcão poezine
Número 25 - Almada, Abril 2004
quinta-feira, abril 23, 2009
Comemorar o 25 de Abril com poesia, em Almada!
O MEU 25 DE ABRIL
em poucas palavras
Instalação de Poesia Colectiva

No dia 24 de Abril os cidadãos de Almada, e todos os outros, são convidados a passar pelo Forum Municipal Romeu Correia e escrever uma mensagem, em poucas palavras, sobre o seu 25 de Abril. Que, este ano, já faz 35 anos de vida. E de festa.
Forum Municipal Romeu Correia
Câmara Municipal de Almada
24 de Abril de 2009, das 10 às 18 horas
quarta-feira, abril 22, 2009
25 de Abril

Sensação inútil de desespero,
Faseada com doce loucura,
Intercalada com medo,
Num misto de êxtase e ternura.
Maldita hora em que o provei,
pois sonhei que o poderia domar.
Os corvos abandonaram-nos à chuva,
Na nossa troca de sorrisos e cumplicidades,
Sozinhos na multidão que festejava,
O início de uma nova era, de novas liberdades.
Atravessei o rio que nos separava,
Engoli em seco e avancei,
A responsabilidade,
O peso da desilusão,
Ardia por dentro,
Os sonhos de uma canção.
Amor/fulgor/sabor,
Caminha letargicamente depressa na minha direcção,
Amei-te sem receios,
Como os sonhos de uma canção.
Aniversário inocente,
Desta indescritível frustração,
Vem, pára, olha,
Em mim desabaram os sonhos de uma canção.
Mais uma pétala deste livro,
Que se desmembrou,
Caiu,
Na minha mão.
Jorge Ramalho
Debaixo do Bulcão poezine
Número 25 - Almada, Abril 2004
terça-feira, abril 14, 2009
O Silêncio de que fala Zé

Tudo começou por uma grande paixão pelas ilhas, a quem começámos a chamar “nossas”.
A história que vos vou contar passa-se em duas ilhas, longe daqui, longe, muito longe.
O tempo estava óptimo. Mais chuvinha, menos chuvinha, mas isso é normal.
Eu adoro andar de avião, não só pela sensação de ir, mas também pelas óptimas refeições servidas a bordo. Mas o melhor desta viagem não foi isso.
Lá há água, água, água. Para além do silêncio, é o que há lá mais. Tudo é bonito quando lá estamos e conseguimos sentir os pequenos pingos de água a caírem na nossa cabeça. Tudo se torna menos bonito quando nos lembramos que cá estamos a poupar cada pinga dessas.
As encostas, de onde cai essa água, metem respeito. Grande não é o maior homem do mundo. Grandes são aqueles montes polidos pela chuva.
Vaquinhas, vaquinhas, vaquinhas. Gostava de ser como elas. Ficar sentada a olhar...apenas a olhar...precisar apenas de erva para comer, daquele ar puro para respirar, e daquele barulho do silêncio para ouvir. Para quê o frenesim dos dias, a pressa de chegar ao emprego, o barulho dos carros, as idas ao supermercado, o dar de comer ao cão, de matar a cabeça com coisas sem importância? Para quê? Lá é assim, lá não há complicações, não há!
Agora que cá estou, tudo voltou o “normal” dos dias. Chegada de novo a casa. Lágrimas foram mandadas pelos ouvidos, ao ouvirem de novo o barulho do barulho.
Gostava de conseguir ouvir esse silêncio que lá se faz, aqui (de alguma forma parar o processo). Ainda consigo sentir o cheiro a erva, o ar limpo, as gotas de água, os pés molhados, o balançar do mar e o silêncio das montanhas. Mas o melhor desta viagem foi mesmo descobrir, finalmente, o silêncio de que fala Zé, Tal como som do silêncio de uma ventania, o som que se encerra na barriga de um gato que dorme, o som de uma lagarta que se transforma, de uma semente que germina, de um abraço eterno, o som das montanhas que falam umas com as outras.
Sim Zé, a vida é mesmo bonita...lá, lá é bonita sim.
Marta Tavares
http://martinika2.blogspot.com/
http://martinika2.blogspot.com/
Debaixo do Bulcão poezine
Número 35 - Almada, Março 2009
(foto da autora)
(foto da autora)
segunda-feira, abril 13, 2009
depois de poe, veio murakami

“Acordei. Era de manhã cedo. Dei um longo bocejo, e no fim, soltei um som sumido. Abri as pálpebras lentamente, pestanejei duas ou três vezes e ergui o corpo. Bocejei novamente, desta vez sem som, escutando apenas o silêncio do quarto em que estava. Espreguicei-me com vagar, esticando todos os membros do meu corpo. Nenhum ficou ao acaso, não vá dar-se o caso de ficar algum por estalar. É que precisava de toda a mobilidade do corpo para continuar... Olhei em redor, primeiro para a esquerda e depois para a direita. Num ímpeto, saltei da cama. Voltei a olhar, desta vez para ver se estava lá alguém. Estranhamente estava só. Andei então calmamente até à casa de banho e, satisfeitas as necessidades, voltei a olhar em redor. Ninguém. Achei estranho e emiti um som, daqueles que esperam por um retorno. Nada. Se calhar ela tinha saído, para ir buscar o leite fresco à mercearia da esquina e, depois de dois dedos de conversa com o Sr. Vicente, lembrou-se de que ainda tinha de ir à loja de congelados comprar peixe. Deve ter sido isso: ela estava só atrasada. Entretanto, espreguicei-me uma outra vez e caminhei até à cozinha. A casa estava estranhamente escura. As persianas continuavam fechadas, embora, num dia normal, ela já as tivesse subido. Na cozinha procurei comida. Não vi os restos de ontem nem as novidades da manhã. Com fome, caminhei até à sala, tentando perceber o que se passava naquela casa, naquele dia, naquela manhã. Entrei na divisão e foi então que a vi. Ela estava deitada no chão, imóvel. Toquei-lhe no rosto; estava frio, gélido. No peito não vi qualquer movimento. Ela não respirava. Lambi-lhe o rosto e lacrimejei.”
O gato faminto mordeu, cuidadosamente, o corpo da mulher. Mordeu-lhe os dedos, as bochecas, a barriga, as coxas. E, enquanto o sangue escorria, o gato comia. Assim se alimentou até alguém ter dado pela falta da mulher.
Ângela Ribeiro
Debaixo do Bulcão poezine
Número 35 - Almada, Março 2009
quinta-feira, abril 09, 2009
Sobrevivência

Dá-me a tua mão e vem
não tenhas medo
porque eu levo-te ao bem,
levo-te p'ro caminho da esperança
não é aquilo que não tens.
Dou-te coragem p'ra lutar
contra os teus rivais,
o calor dos meus beijos
a fortaleza dos meus braços
e outras coisas mais.
Não vivas na ignorância
que essa vida te quer dar
não deixes que o desânimo
se apodere de ti,
dá-me a tua mão e vem:
não tenhas medo de mim.
Não queiras morrer à míngua
nem que o teu corpo apodreça
no vácuo do Ser.
Levanta-te, segue o meu caminho
e verás que mais tarde
hás-de vencer.
Poema de Artur Vaz
ilustração de Henry Mourato
(publicado pela primeira vez em Jornal de Almada,
16 de Maio de 1970)
Debaixo do Bulcão poezine
Número 35 - Almada, Março 2009
A causa das coisas

a maçã que eu encontrei hoje debaixo da cama
só lá foi parar porque eu a deixei cair
há dois dias atrás e me esqueci dela
até que hoje não sei porquê
espreitei para debaixo da cama
e lá estava ela a maçã que encontrei
hoje debaixo da cama.
é claro que se eu não tivesse espreitado
para debaixo da cama
a esta hora ela ainda lá estaria
a maçã que hoje eu encontrei debaixo da cama.
só não está lá ainda porque hoje
não sei porquê eu espreitei
para debaixo da cama e
a encontrei.
se eu não tivesse tirado de baixo da cama
a maçã que hoje encontrei debaixo da cama
a esta hora ela ainda lá estaria
por baixo da cama.
e isto é como tudo na vida.
António Vitorino
http://vitorinices.blogspot.com/
Debaixo do Bulcão poezine
Número 35 - Almada, Março 2009

isto é muito fácil tirar
tabaco da máquina mesmo
quando tens de pedir para
carregarem no botão do “on”
é bom sermos burgueses
termos dinheiro para jantar na
cave
até parece uma canção do Veloso
mas não é…
ter dinheiro para comprar
uma casa
ou coragem para ocupar
uma herdade
ganas de mudar
sentir o mundo como
nosso
um projecto nosso…
a mudar
a transformar e viver
pisar com os pés todos
juntos formando circunferências
sobre o globo terrestre
com as mãos unidas
na unidade
BB Pásion
Debaixo do Bulcão poezine
Número 35 - Almada, Março 2009
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